Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Proteína presente no sangue pode ajudar a combater fungo altamente letal

Pesquisa revela que a albumina pode atuar como defesa natural contra a mucormicose

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

  • Google News
Descoberta revela defesa natural contra fungos perigosos. (Foto: Pexels via Canva) Fala Ciência

Uma proteína comum presente no sangue humano pode desempenhar um papel decisivo na defesa do organismo contra uma infecção fúngica extremamente agressiva. Pesquisas recentes indicam que a albumina, a proteína mais abundante na corrente sanguínea, possui uma função importante na proteção contra a mucormicose, doença conhecida popularmente como fungo negro.

Os resultados foram descritos no estudo “Albumin orchestrates a natural host defense mechanism against mucormycosis”, liderado por Antonis Pikoulas e publicado na revista Nature em 2026 (DOI: 10.1038/s41586-025-09882-3). A investigação revelou um mecanismo de defesa natural até então pouco compreendido no corpo humano.


Essa descoberta abre novas possibilidades para estratégias de prevenção e tratamento de uma infecção que ainda apresenta taxas de mortalidade elevadas.

O que é a mucormicose e por que ela preocupa


Micrografia de mucormicose em biópsia pulmonar; fungo afeta imunossuprimidos. (Foto: Néfron via Wikimedia Commons) Fala Ciência

A mucormicose é uma infecção causada por fungos da ordem Mucorales, capazes de invadir tecidos rapidamente e se espalhar por órgãos vitais. A doença pode afetar principalmente:

  • Seios da face e cavidade nasal
  • Pulmões
  • Sistema nervoso central
  • Tecidos ao redor dos olhos


Em muitos casos, a infecção evolui rapidamente e pode levar à morte em até metade dos pacientes diagnosticados.

Além disso, pessoas com diabetes, sistema imunológico enfraquecido ou desnutrição apresentam maior vulnerabilidade. Durante a pandemia de COVID-19, por exemplo, diversos países registraram aumento significativo de casos.


Albumina surge como possível fator de proteção

A pesquisa revelou que indivíduos com mucormicose apresentavam níveis significativamente mais baixos de albumina no sangue. Essa condição é chamada de hipoalbuminemia e apareceu como um dos principais indicadores associados a quadros mais graves da doença.

Quando os cientistas analisaram amostras de sangue, observaram que a presença adequada dessa proteína dificultava o crescimento dos fungos responsáveis pela infecção.

Esse achado sugere que a albumina pode funcionar como um biomarcador clínico, ajudando médicos a identificar pacientes com maior risco de desenvolver formas graves da doença.

Além disso, terapias baseadas na reposição ou reforço da albumina estão sendo investigadas como possíveis ferramentas para reduzir a vulnerabilidade à infecção.

Como a proteína interfere no crescimento do fungo

Os experimentos laboratoriais mostraram que a albumina interfere diretamente nos mecanismos de virulência dos fungos. Em outras palavras, ela pode bloquear processos que permitem ao microrganismo invadir tecidos humanos.

Entre os efeitos observados estão:

  • Neutralização de toxinas produzidas pelo fungo
  • Interferência na produção de proteínas essenciais à invasão celular
  • Supressão seletiva do crescimento de fungos da ordem Mucorales

Curiosamente, esse efeito antifúngico ocorreu sem prejudicar outros microrganismos presentes no organismo.

Quando a albumina foi removida artificialmente de amostras de sangue saudável, os fungos passaram a se multiplicar com facilidade. Já em modelos experimentais com deficiência dessa proteína, a suscetibilidade à infecção aumentou significativamente.

Ácidos graxos ajudam a fortalecer essa defesa natural

Outro achado importante do estudo envolve os ácidos graxos ligados à albumina. Essas moléculas parecem desempenhar papel essencial na atividade antifúngica observada.

Os pesquisadores identificaram que esses ácidos graxos:

  • Interferem no metabolismo dos fungos
  • Bloqueiam a produção de proteínas usadas na invasão de tecidos
  • Limitam a progressão da infecção

Em pacientes com mucormicose, amostras sanguíneas mostraram maior oxidação de ácidos graxos, fenômeno que pode contribuir para o enfraquecimento desse mecanismo protetor.

Descoberta pode abrir caminho para novos tratamentos

A mucormicose ainda possui opções terapêuticas limitadas, e muitas vezes o tratamento exige medicamentos antifúngicos agressivos ou procedimentos cirúrgicos.

Nesse contexto, a descoberta de um mecanismo natural de defesa mediado pela albumina representa um avanço importante. Estratégias terapêuticas que reforcem essa proteção podem se tornar alternativas promissoras para reduzir a gravidade da infecção.

Compreender melhor como o organismo combate naturalmente esses fungos pode ajudar a desenvolver novas abordagens médicas mais eficazes, especialmente para pacientes com maior risco.

Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação por profissional de saúde. Por: Rafaela Lucena, Farmacêutica (CRF-RJ:13912).

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.