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Quase 30% da população brasileira não sabe que é possível prevenir câncer

Levantamento nacional mostra que muitos brasileiros ainda desconhecem fatores importantes relacionados à prevenção do câncer 

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Pesquisa aponta dúvidas sobre prevenção do câncer na população brasileira. (Foto: Elnur via Canva) Fala Ciência

O câncer continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil e no mundo. No entanto, uma parcela significativa dos casos poderia ser evitada por meio de mudanças nos hábitos de vida. Apesar disso, um levantamento nacional revelou que muitos brasileiros ainda não sabem que a prevenção desempenha um papel fundamental na redução do risco da doença.

Segundo o relatório Mais Dados Mais Saúde: Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer, realizado por Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive e parceria técnica do Instituto Nacional de Câncer, cerca de 27% dos adultos brasileiros desconhecem que o câncer pode ser prevenido. A pesquisa ouviu 6.566 pessoas em todos os estados do país entre setembro e outubro de 2025.


As estimativas indicam que até 40% dos casos de câncer poderiam ser evitados por meio da redução da exposição a fatores de risco conhecidos e da adoção de hábitos mais saudáveis.

O que a população já sabe sobre os riscos?


Entre os fatores mais reconhecidos pelos brasileiros, o tabagismo aparece em primeiro lugar. A maioria da população associa corretamente o cigarro ao aumento do risco de diversos tipos de câncer.

Além disso, fatores como predisposição genética e exposição excessiva ao sol também são amplamente conhecidos. Esse resultado pode estar relacionado a décadas de campanhas de conscientização e ampla divulgação dessas informações.


Por outro lado, fatores igualmente importantes ainda passam despercebidos por muitas pessoas.

Os riscos que ainda escapam do radar


O estudo identificou um conhecimento mais limitado sobre fatores ligados ao estilo de vida moderno.

Entre eles estão:

Excesso de peso corporal

Sedentarismo

Consumo frequente de bebidas adoçadas

Baixa ingestão de frutas, legumes e verduras

Consumo elevado de carne vermelha

Embora existam evidências científicas associando esses hábitos ao aumento do risco de alguns tipos de câncer, o reconhecimento da população ainda é relativamente baixo.

Esse cenário preocupa porque o desconhecimento pode dificultar mudanças de comportamento capazes de reduzir o risco da doença ao longo da vida.

Mitos que ainda confundem os brasileiros

Outro dado chamou a atenção dos pesquisadores. Mais de 60% dos entrevistados acreditam que suplementos de vitaminas e minerais ajudam a prevenir o câncer.

Entretanto, as evidências científicas disponíveis não demonstram que a suplementação, por si só, tenha esse efeito protetor para a população em geral.

Os especialistas apontam que os nutrientes necessários para a saúde devem ser obtidos prioritariamente por meio de uma alimentação equilibrada, baseada em alimentos in natura e minimamente processados.

Além disso, muitas pessoas ainda desconhecem que o aleitamento materno pode contribuir para a redução do risco de câncer de mama em quem amamenta.

Jovens apresentam os indicadores mais preocupantes

Os resultados também mostraram que os adultos mais jovens concentram alguns dos hábitos menos favoráveis à prevenção.

O consumo frequente de ultraprocessados, bebidas adoçadas, embutidos e carne vermelha foi mais comum entre os participantes de até 24 anos.

Além disso, esse grupo apresentou menor conhecimento sobre a relação entre alimentação e risco de câncer, o que evidencia a necessidade de ampliar as ações educativas voltadas para essa faixa etária.

Informação também é uma forma de prevenção

O relatório Mais Dados Mais Saúde, divulgado em 2026, mostra que a prevenção do câncer vai além dos consultórios e hospitais. O acesso à informação de qualidade pode ajudar a população a reconhecer fatores de risco e tomar decisões mais conscientes sobre saúde.

Com a expectativa de 781 mil novos casos anuais de câncer no Brasil entre 2026 e 2028, investir em educação, diagnóstico precoce e promoção de hábitos saudáveis continua sendo uma das estratégias mais importantes para reduzir o impacto da doença na população.

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