Robô com IA e rosto humano começa a atuar no atendimento hospitalar
Um robô social com inteligência artificial foi testado em hospital europeu para fornecer informações médicas seguras
Fala Ciência|Do R7

A presença de robôs com inteligência artificial nos hospitais, antes restrita à ficção científica, começa a se tornar uma realidade concreta. Um estudo piloto conduzido por pesquisadores da University of Twente, em parceria com o hospital Medisch Spectrum Twente e o Politecnico di Milano, avaliou o uso de um robô social baseado em GPT para fornecer informações médicas a pacientes em ambiente clínico real. Os resultados iniciais, publicados na revista Frontiers in Digital Health, indicam boa aceitação da tecnologia por parte de pacientes e profissionais de saúde.
Esse experimento surge em um contexto de sobrecarga dos sistemas de saúde, marcado por aumento da demanda, escassez de profissionais e crescimento de doenças crônicas. Nesse cenário, a comunicação clara e acessível com o paciente se torna um fator central para a qualidade do cuidado. Por isso, ferramentas digitais que organizam informações e auxiliam na orientação podem representar um apoio estratégico. Logo nos primeiros testes, alguns pontos se destacaram:
Um robô que conversa, explica e orienta
Diferente de assistentes virtuais tradicionais, o sistema testado utiliza um robô social físico, capaz de falar, gesticular e manter conversas fluidas. A proposta é aproximar a experiência da interação humana, reduzindo a sensação de distanciamento comum em tecnologias digitais.
Os dados do estudo mostram que tanto pacientes quanto profissionais consideraram a interação simples, intuitiva e agradável. Embora não tenha sido o objetivo principal medir impactos clínicos diretos, os pesquisadores observaram que o robô conseguiu se integrar à rotina hospitalar sem causar resistência, um fator crucial para futuras implementações.
Informação médica com fontes controladas
Um dos aspectos mais relevantes do projeto foi o controle rigoroso das fontes de informação. O sistema de IA não teve acesso livre à internet. Em vez disso, consultava apenas bases médicas previamente validadas por profissionais da saúde.
Essa estratégia foi adotada para minimizar o risco de erros informacionais, especialmente as chamadas alucinações, quando a IA gera respostas plausíveis, porém incorretas. Em ambiente hospitalar, esse cuidado é essencial, já que informações equivocadas podem comprometer a segurança do paciente.
Embora ainda esteja em fase inicial, o estudo indica que robôs com IA podem atuar como ferramentas de apoio à educação em saúde, sem substituir médicos ou enfermeiros. Seu papel tende a ser complementar, contribuindo para reforçar orientações médicas, responder dúvidas frequentes e organizar fluxos de informação dentro do ambiente hospitalar. A longo prazo, esse tipo de tecnologia pode ajudar a otimizar o tempo das equipes, aumentar a autonomia do paciente e melhorar a qualidade da comunicação em saúde, desde que seja implementada com critérios éticos, técnicos e científicos rigorosos.














