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Telescópio James Webb revela disco de poeira de buraco negro com nitidez inédita

Observações do Webb revelam com nitidez o disco de poeira que alimenta buracos negros

Fala Ciência|Do R7

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Arte mostra o buraco negro da Circinus cercado por toro empoeirado infravermelho (Imagem: NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)) Fala Ciência

O Telescópio Espacial James Webb (JWST) trouxe uma visão inédita das regiões mais próximas de um buraco negro supermassivo, localizado no núcleo da galáxia Circinus, a cerca de 14 milhões de anos-luz. Pela primeira vez, cientistas conseguiram distinguir com precisão o disco de poeira e gás que alimenta o buraco negro, em contraste com estruturas expelidas ou regiões externas da galáxia. Essa descoberta representa um avanço significativo para a compreensão de como buracos negros crescem e afetam suas galáxias hospedeiras.

As imagens obtidas pelo Webb revelam que o brilho infravermelho intenso de galáxias ativas não se origina de fluxos de poeira, como se acreditava anteriormente, mas de um toroide denso de poeira em torno do buraco negro.

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Principais descobertas do estudo publicado na Nature Communications (13 de janeiro de 2026, DOI: 10.1038/s41467-025-66010-5, Enrique Lopez-Rodriguez et al.):

  • 87% da emissão infravermelha provém do disco interno próximo ao buraco negro;
  • Menos de 1% da emissão é gerada por fluxos de poeira expulsos;
  • 12% restantes vêm de poeira mais distante, aquecida pela radiação do núcleo e por pequenos jatos de rádio.

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O estudo utilizou técnicas avançadas do Webb, combinando luz da galáxia por pequenas aberturas hexagonais, permitindo mapear o núcleo da galáxia com detalhes nunca antes vistos. Essa metodologia duplicou a nitidez das imagens, equivalente a um telescópio de 13 metros de diâmetro.

Estrutura do disco e seu impacto na galáxia

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Emissão de poeira em múltiplos comprimentos de onda versus modelo torus clumpy, destacando contornos de massa (Imagem: Enrique Lopez-Rodriguez et al. / Nature communications) Fala Ciência

O toroide interno atua como a principal fonte de material que cai no buraco negro, enquanto o Arco Norte corresponde a um fluxo tênue de poeira expelida pelo núcleo. Já o disco externo é composto por poeira aquecida pela radiação do buraco negro e por pequenos jatos, localizada fora do disco principal. Essas observações desafiam modelos antigos, que associavam grande parte do infravermelho próximo a fluxos de poeira. 

Agora, está claro que o disco de acreção e o toroide são os responsáveis pelo brilho intenso, oferecendo informações valiosas sobre como os buracos negros influenciam a formação de estrelas e moldam a estrutura das galáxias. Além disso, a técnica aplicada na galáxia Circinus poderá ser utilizada para estudar outros buracos negros próximos, contribuindo para a construção de uma amostra estatística capaz de relacionar a massa, os discos de acreção e os fluxos de saída com a potência do núcleo ativo.

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