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FNAC volta atrás e confirma debate em São Paulo com autores de livro sobre black blocs

Evento será nesta quarta-feira (19), às 19h30, na sede da livraria na avenida Paulista

|Diego Junqueira, do R7

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Mascarados foi publicado após um ano e meio de pesquisas com jovens que adotam a tática black bloc de protesto
Mascarados foi publicado após um ano e meio de pesquisas com jovens que adotam a tática black bloc de protesto

A livraria FNAC confirmou na noite de segunda-feira (17) o debate com os autores do livro-reportagem Mascarados - a verdadeira história dos adeptos da tática black bloc (Geração Editorial), sobre o movimento que atua na capital paulista desde as manifestações de 2013. O evento será na quarta-feira (19), às 19h30, na FNAC da avenida Paulista.

O bate-papo com os três autores — a socióloga Esther Solano e os jornalistas Bruno Paes Manso e Willian Novaes — havia sido vetado no início da tarde de ontem por ordem da matriz da empresa, na França. O motivo seriam ataques que o site da companhia sofreu em 2014, segundo disseram funcionários da FNAC São Paulo aos autores.


Na manhã desta terça-feira (18), Novaes escreveu em seu perfil no Facebook que recebeu na noite de ontem uma ligação de um diretor da FNAC. “[Ele] informou que houve uma grande confusão entre eles. Pediu desculpas e perguntou se a gente gostaria de realizar o evento. Mais uma vez, eu, Esther Solano e Bruno Paes Manso aceitamos as desculpas e, enfim, como estava previsto, o lançamento será amanhã”.

Mascarados foi lançado em novembro de 2014, após um ano e meio de pesquisa, acompanhamento e entrevistas com os manifestantes.


À época, o Metrô de São Paulo vetou uma ação publicitária do livro nos trens da companhia alegando, oficialmente, que “reprovou única e exclusivamente o layout da peça publicitária da Geração Editorial por estar em desacordo com o artigo 20 de seu regulamento de mídia”. Tal texto veta mensagens que “infrinjam a legislação vigente, atentem contra a moral e os bons costumes, tenham temas de cunho religioso ou político-partidário”.

Em entrevista ao R7 ontem, Novaes afirmou que existe uma “‘pré-condenação’ à capa do livro, ao título do livro”.


“O livro não é uma apologia [aos black blocs], é uma reportagem, uma grande pesquisa para explicar quem são [esses jovens] e o que eles pensam. É uma ignorância não querer dar ouvido para temas polêmicos”, disse.

Na semana passada, o assunto também gerou mal-estar durante entrevista dos autores ao Programa do Jô, da TV Globo. Jô Soares afirmou que o tema era “tenebroso” e chegou a comparar a tática black bloc aos métodos adotados pelos nazistas.


“Você comparar black blocs com a violência nazista me parece que não é honesto. Em um estamos falando de violência contra objetos, em outros, de um extermínio [de judeus]. Acho que não é equilibrado [fazer a comparação]”, rebateu Esther durante a entrevista.

Ainda na semana passada, Jô telefonou para o jornalista Bruno Paes Manso para pedir desculpas ao trio.

Além do evento desta quarta na FNAC Paulista, Mascarados será debatido no dia 1º de novembro, às 19h, em um evento na ECA/USP (Escola de Comunicações de Artes da Universidade de São Paulo).

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