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Cientistas descobriram uma forma inesperada de destruir “produtos químicos eternos”

Sabe aqueles vilões invisíveis que se escondem na água e parecem impossíveis de eliminar do meio ambiente? Os chamados “produtos...

Giro 10

Giro 10|Do R7

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Sabe aqueles vilões invisíveis que se escondem na água e parecem impossíveis de eliminar do meio ambiente? Os chamados “produtos químicos eternos”, tecnicamente conhecidos como PFAS, ganharam esse apelido justamente por serem incrivelmente resistentes na natureza. Mas uma novidade surpreendente promete mudar o jogo. Cientistas descobriram que um tipo específico de luz ultravioleta (UV) é capaz de destruir esses poluentes sem precisar de uma gota sequer de reagentes químicos extras. É a ciência usando a energia da própria luz para limpar o nosso planeta.

O que a ciência descobriu sobre os produtos químicos eternos?


O grande obstáculo na hora de lidar com os PFAS é a sua estrutura molecular. Esses compostos possuem ligações químicas extremamente fortes entre carbono e flúor, que funcionam como uma verdadeira armadura impenetrável. Durante testes recentes de laboratório, uma equipe de pesquisadores liderada pela Universidade de Aarhus notou que irradiar a água com luz ultravioleta de ondas curtas, com menos de 300 nanômetros, era a chave para furar essa barreira protetora.

A mágica acontece porque a luz altamente energética reage com a própria água, gerando o que os cientistas chamam de radicais de hidrogênio. São essas pequenas partículas incrivelmente reativas que entram em ação e começam a quebrar a “casca” fluorada dos compostos tóxicos, fragmentando os poluentes de forma irreversível e contínua.


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Como isso funciona na prática?

Imagine que os produtos químicos eternos são como gigantescos blocos de montar colados com supercola. Em vez de tentar derreter a estrutura inteira, algo que exigiria muita energia ou componentes agressivos, a luz UV cria “pinças invisíveis” através dos radicais de hidrogênio. Essas pinças beliscam e arrancam os átomos de flúor um por um, metodicamente.


Ao retirar as peças fundamentais, a armadura perigosa dos PFAS desmorona. O que antes era uma molécula teimosa e prejudicial se transforma rapidamente em pedaços minúsculos e inofensivos. Esse processo elimina completamente o risco que esses materiais representariam para a saúde humana e para o ecossistema.

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A reviravolta no laboratório: o que mais os pesquisadores encontraram?

O aspecto mais fascinante dessa investigação foi a quebra de um longo consenso na química ambiental. Até então, os maiores especialistas na área acreditavam fielmente que o oxigênio era o grande responsável por corroer e desmanchar a estrutura dos produtos químicos eternos sob certas condições.

No entanto, a equipe dinamarquesa comprovou exatamente o contrário nas suas observações. Eles revelaram que são os radicais de hidrogênio os verdadeiros protagonistas nesse processo contraintuitivo de desmantelamento das moléculas. Essa pequena correção de rota altera totalmente como a engenharia planeja as futuras estações de purificação.

Os detalhes completos dessa pesquisa inovadora foram publicados no periódico Environmental Science & Technology e podem ser consultados neste estudo da American Chemical Society, que aprofunda as reações fotolíticas e a quebra do flúor.

Por que essa descoberta importa para você?

Você já deve ter lido sobre como microplásticos e poluentes industriais acabam voltando para as nossas casas pela água da torneira. As técnicas convencionais de tratamento muitas vezes apenas filtram os PFAS, transferindo a contaminação da água para um filtro, e depois para o solo de um aterro sanitário. O problema apenas muda de lugar.

O uso estratégico da luz ultravioleta e dos radicais de hidrogênio oferece uma solução definitiva. Isso permite que as redes de tratamento realmente destruam a ameaça dentro da própria coluna d’água. Em um futuro próximo, essa tecnologia poderá garantir que a água consumida pela sua família esteja verdadeiramente livre desses resíduos persistentes.

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O que mais a ciência está investigando sobre o tema?

Embora a degradação dos PFAS pela luz UV seja um avanço incrível, os cientistas lembram que os testes ainda ocorrem em ambiente de laboratório e em um ritmo considerado lento. O próximo passo dos pesquisadores é descobrir formas de acelerar essa reação e construir usinas de purificação energeticamente eficientes. A meta é criar um sistema prático e em larga escala que consiga limpar rios e solos contaminados sem adicionar novos reagentes ao ecossistema.

É animador saber que a própria luz natural pode esconder o segredo para curar as feridas invisíveis deixadas pela indústria. Com mais alguns anos de dedicação científica, os produtos químicos eternos talvez se tornem apenas um obstáculo passageiro que aprendemos a superar.

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