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'A rua é nossa': os sinais da revolta pichados nos muros de Santiago

Os manifestantes que ocupam as ruas de Santiago, capital do Chile, contra o presidente Sebastián Piñera, deixam suas marcas em muros e paredes 

Internacional|Do R7

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Grafite no centro de Santiago pede a renúncia do presidente Sebastián Piñera
Grafite no centro de Santiago pede a renúncia do presidente Sebastián Piñera

Um mês de protestos intensos contra a desigualdade e a repressão policial transformaram as ruas da capital do Chile em um aglomerado de grafites e pichações, cujas mensagens refletem a insatisfação profunda na outrora requintada cidade latino-americana.

Veja mais: Repressão a protestos no Chile dispara violações de direitos

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O ar quente e seco típico da primavera carrega o odor duradouro do gás lacrimogêneo, e lojas e blocos de escritórios se tornaram fortalezas adornadas com cortinas de metal que os protegem das pedras ou dos coquetéis molotov dos manifestantes.

Danos à infraestrutura

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Os usuários do transporte público passam ao longo de barricadas enegrecidas ainda fumegando em muitas ruas da cidade e se arriscam em cruzamentos movimentados onde os semáforos foram vandalizados.

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A rede do metrô, uma das mais modernas da América Latina, continua operando pela metade, já que mais de 20 estações danificadas por incêndios ainda estão fechadas.

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Paredes cinzas de arenito vêm sendo cobertas por murais coloridos.

Mensagens contra Piñera

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"A rua é nossa", proclama uma mensagem em um portão fechado. Muros exibem gritos de guerra, piadas, exigências políticas, rejeições da injustiça e da desigualdade e clamores contra a polícia "assassina".

Pixações com o rosto de Piñera estão por todos os lados
Pixações com o rosto de Piñera estão por todos os lados

O presidente Sebastián Piñera é abordado frequente e diretamente. Uma pichação dizia "Renuncie. Ninguém quer você."

Olhos alvejados

As mensagens também refletem uma característica horrível, e em grande medida única, dos protestos chilenos: os ferimentos causados por balas de borracha ou cilindros de gás lacrimogêneo da polícia nos olhos de mais de 200 pessoas.

"Agora é um privilégio ter os dois olhos", acusa uma. Um pôster mostra o território estreito do Chile escorrendo como um fio de sangue de um olho ferido.

A polícia insiste que vem seguindo o protocolo no uso da força e que todas as alegações de irregularidades que foram relatadas serão investigadas minuciosamente.

Na semana passada, o chefe de polícia suspendeu o uso de balas de borracha e ordenou exames adicionais depois que um estudo de uma universidade indicou que elas só possuem 20% de borracha e que contêm chumbo.

Arte na rua

Mês de protestos deixou muros de Santiago cobertos de pixações e cartazes
Mês de protestos deixou muros de Santiago cobertos de pixações e cartazes

"Prefiro este Chile pintado e desperto do que um oásis passivo e silencioso", disse Miguel Delso, arquiteto de 32 anos que protestava com um grupo de colegas e estudantes de arquitetura.

Já Antonio Rivas, engenheiro venezuelano de 25 anos que migrou para Santiago, tinha outra opinião: "Não entendo por que, para pedir tratamento correto e justo, você tem que sair e destruir tudo."

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