Ação do Hezbollah no norte volta a despertar maior atenção de Israel
Grupo já fincou raízes na política do Líbano, país que passou por longa guerra e se tornou importante na disputa entre Irã e Arábia Saudita
Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

Depois de um período em que teve de lidar com questões no sul do país, diante de mísseis lançados pelo Hamas, as atenções do governo israelense se voltaram nos últimos dias mais para a fronteira norte.
Pela primeira vez, o Exército de Israel destruiu, na terça-feira (3), um túnel que, segundo o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, fora construído pelo grupo Hezbollah para penetrar em território israelense, chegando à pequena cidade de Metula, situada já em Israel, além da zona de segurança monitorada pela ONU (Organização das Nações Unidas).
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A situação remete à Segunda Guerra do Líbano, ocorrida em 2006, quando forças israelenses tiveram novamente que penetrar em território libanês para combater militantes do Hezbollah após, segundo Israel, o grupo ter sequestrado dois soldados israelenses.
Mas, diferentemente do que ocorre na Faixa de Gaza, a geografia da região é diferente, assim como a estrutura do Hezbollah, em relação ao Hamas.
No sul, o Hamas comanda de forma mais isolada aquela área, mas ainda tem dificuldades de se impor dentro da política geral palestina.
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No norte, há uma complexidade e um histórico de conflitos mais longo. Do outro lado, há um país, o Líbano, no qual ainda se acumulam resquícios do conflito entre os grupos que formam sua população (palestinos, xiitas, cristãos maronitas, drusos e outros) e que lutaram na sangrenta guerra civil, entre 1975 e 1990.
Para combater o que considerava terrorismo da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), Israel invadiu o país em 1982 e por lá permaneceu por alguns anos. Foi quando o Hezbollah começou a se formar, como grupo islâmico xiita (diferente do Hamas, que é sunita).
Situação complexa
Desde então o grupo se expandiu, se tornou também partido e fincou raízes na política libanesa. Com uma infraestrutura de auxílio social e organização comunitária, passou a ter representantes no Parlamento e no governo, mesmo não comandando o país.
Isso, no entanto, torna a situação mais intrincada para Israel que, de certa maneira, acaba dependendo de ações do governo libanês para conter as hostilidades do Hezbollah, que tem sido cada vez mais apoiado pelo Irã e se tornado um braço armado do país na fronteira norte e nordeste. O Hamas também estaria sendo apoiado pelo Irã, mas, segundo especialistas, com menos intensidade do que o Hezbollah.
Neste sentido, o Hezbollah tem uma infraestrutura mais incrementada do que o Hamas e se apoia em governos locais, como o da Síria e do Irã, para manter presença próxima da divisa com Israel.
Isso em uma região potencialmente mais fértil (próxima à Galiléia cheia de verde e montanhas) e estratégica para Israel, Síria e Líbano.
Israel tem se queixado frequentemente de que o governo libanês não tem conseguido controlar o Hezbollah, mantendo-se sob a pressão da Arábia Saudita, de um lado, e do Irã, do outro.
O Líbano atualmente é presidido pelo cristão Michel Naim Aoun, célebre general da coalizão Movimento Patriótico Livre, que combateu na Guerra do Líbano e se exilou na França contra a presença síria em seu país. Ele se aliou ao Hezbollah, para manter uma base política e, por conseguinte, não se mostrou hostil ao governo sírio.
Mas também não pode desagradar a Arábia Saudita. E tanto Irã quanto Arábia Saudita lutam atualmente pela primazia no mundo islâmico. O xadrez político do Oriente Médio, desta forma, está muito mais presente no norte do que no sul de Israel.
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