Internacional Ações antiterroristas enriquecem empresas de tecnologia dos EUA

Ações antiterroristas enriquecem empresas de tecnologia dos EUA

Relatório mostra uma explosão de contratos governamentais com a Amazon, Facebook, Google, Microsoft e Twitter desde 2004

AFP
Contratos da defesa americana com empresas de tecnologia dispararam nos últimos anos

Contratos da defesa americana com empresas de tecnologia dispararam nos últimos anos

Pixabay

As gigantes da tecnologia ganharam bilhões de dólares em contratos com o exército dos Estados Unidos e outras agências governamentais durante a chamada "guerra contra o terrorismo", segundo um relatório publicado às vésperas do 20º aniversário do 11 de setembro.

O relatório "Big Tech Sells War" (Grandes empresas tecnológicas vendem a guerra, em tradução livre), publicado na quinta-feira (9) por três grupos de ativistas americanos, documentou uma explosão de contratos governamentais com a Amazon, Facebook, Google, Microsoft e Twitter desde 2004.

Os contratos das empresas tecnológicas foram "principalmente com agências centrais na guerra contra o terrorismo", diz o relatório.

"De 2004 até hoje, as grandes empresas tecnológicas apresentaram um enorme aumento da demanda federal de seus serviços, em particular do Pentágono e do Departamento de Segurança Interna", continua.

A demanda de software na nuvem e GPS por parte das agências militares e de inteligência dos Estados Unidos aumentou desde 2001, já que a indústria da defesa se digitalizou cada vez mais.  

Só o Departamento da Defesa gastou 43,8 bilhões de dólares em contratos com empresas tecnológicas desde 2004, de acordo com o relatório - uma colaboração entre o Action Center on Race and the Economy e os grupos de justiça social LittleSis e MPower Change.

Quatro dos cinco organismos que mais gastam em contratos de grandes tecnologias são "fundamentais para a política externa ou foram criados como resultado direto da guerra mundial contra o terrorismo", afirma o estudo.

"Amazon e Microsoft lideraram a tendência nos últimos anos, com a Amazon assinando quase cinco vezes mais e a Microsoft assinando oito vezes mais contratos federais e subcontratos em 2019, em comparação com 2015", acrescenta. 

Segundo o documento, a Microsoft se beneficiou de um salto nos contratos de defesa durante o governo de Donald Trump, com um aumento de seis vezes o número de acordos estabelecidos entre 2016 e 2018. 

Por outro lado, os contratos com contratistas militares e de defesa "tradicionais", como as empresas aeroespaciais Raytheon e Northrop Grumman, diminuíram nos últimos anos.

A AFP contatou as cinco grandes empresas tecnológicas para pedir comentários, mas ainda não recebeu resposta.

O relatório extraiu seus dados da Tech Inquiry, uma ferramenta online que permite aos usuários explorarem os contratos do governo americano.  

A ferramenta só inclui os contratos cuja informação é pública, portanto os números que aparecem no relatório são "muito provavelmente uma subrepresentação", segundo o documento. 

Seus autores criticaram o fenômeno das "portas giratórias" entre as grandes empresas tecnológicas e as agências de segurança americanas, nas quais ex-altos funcionários do governo passam a desempenhar funções importantes nas empresas tecnológicas. 

O relatório citou como exemplo o ex-funcionário do Departamento de Estado, Jared Cohen, agora na Google, assim como Steve Pandelides, da Amazon, antes no FBI, e Joseph D. Rozek, da Microsoft, que ajudou a fundar o Departamento de Segurança Interna.

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