Análise: bomba nuclear ‘nunca foi tão legitimada’ no Irã como após ataques de EUA e Israel
Segundo Bruno Pasquarelli, guerra mobiliza população em torno de artifícios garantidores da soberania nacional
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
O debate pró-bomba atômica “nunca foi tão legitimado” no Irã como na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel, argumenta o professor e doutor em ciência política Bruno Pasquarelli. “É interessante como o maior paradoxo dessa guerra é que ela foi travada para impedir o Irã de ter armas nucleares”, pontua em entrevista ao Conexão Record News desta sexta-feira (27).
Segundo fontes iranianas de alto escalão ouvidas pela Reuters, representantes mais radicais do governo defendem a busca por uma bomba em meio ao conflito que se espalhou pelo Oriente Médio. Após o assassinato do líder supremo Ali Khamenei em fevereiro, a Guarda Revolucionária conquistou mais espaço e as visões linha-dura sobre a abordagem nuclear ganharam adesão.

Os comandantes e a mídia estatal promovem a ideia de abandonar o tratado de não proliferação nuclear, ainda que Teerã sempre tenha negado o desenvolvimento dos armamentos proibidos na religião islâmica. Hoje, a tecnologia é vista como um meio de reforçar a soberania em um país que assiste ao fortalecimento do nacionalismo no enfrentamento às ameaças externas.
“Uma guerra tem esse problema, ela acaba por enfatizar a defesa do território iraniano, a população acaba se unindo em torno de causas comuns e, claro, a questão da bomba atômica seria uma causa comum para a população”, conclui o especialista.
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