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Coreia do Norte utiliza trabalho forçado na Rússia para financiar seu arsenal militar

Aliança Cidadã para os Direitos Humanos aponta que vistos de estudante seriam utilizados na fraude

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Relatório da Aliança Cidadã para os Direitos Humanos da Coreia do Norte revela esquema de trabalho forçado na Rússia.
  • Trabalhadores norte-coreanos usam vistos de estudante para burlar sanções da ONU após Resolução 2397.
  • Pagamentos de mais de 2,7 bilhões de rublos (cerca de US$ 30 milhões) financiam programas militares da Coreia do Norte.
  • Estruturas de poder de Kim Jong Un coordenam o financiamento militar ligado ao tráfico de mão de obra.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Trabalhadores enviados pelo regime de Kim Jong-un à Rússia atuam em tempo integral sem remuneração Reprodução/KCNA

Um relatório da Aliança Cidadã para os Direitos Humanos da Coreia do Norte (NKHR, na sigla em inglês) aponta que órgãos militares e de segurança do país operam na Rússia com fachadas de empresas. O esquema gerencia um sistema de trabalho forçado, que, segundo a entidade, teria o objetivo de financiar os programas nucleares e de mísseis balísticos norte-coreanos.

Vistos de estudante são utilizados na fraude, aponta a NKHR. A investigação conduzida pela entidade se baseia em registros financeiros, dados de cadastro corporativo e informações de fontes norte-coreanas e russas, incluindo entrevistas com ex-funcionários e trabalhadores norte-coreanos.

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De acordo com o relatório, a estrutura usa um mecanismo financeiro ligado aos pagamentos de “bolsas de estudo”. Após a Resolução 2397 do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), que proibiu o trabalho contínuo de norte-coreanos no exterior, a Coreia do Norte passou a enviar sua força de trabalho para a Rússia usando vistos de estudante, estágio e intercâmbio técnico, burlando as sanções.

Oficialmente registrados em instituições de ensino russas, esses trabalhadores acabam, na prática, alocados em tempo integral para a construção civil e a indústria, sem remuneração. Já os militares enviados sob ordens diretas são vítimas de tráfico humano, submetidos a condições equivalentes à escravidão moderna.

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Dados bancários analisados pela NKHR indicam que, entre outubro de 2023 e junho de 2025, a Faculdade Sodeistvie, vinculada à Comissão Intergovernamental de Comércio e Cooperação Econômica entre Rússia e Coreia do Norte, transferiu mais de 2,7 bilhões de rublos (cerca de US$ 30 milhões) a cidadãos norte-coreanos, financiados por pelo menos 76 empresas russas.

Esses pagamentos vão muito além do apoio educacional normal, com alguns “estudantes” recebendo até 66 vezes a média salarial da Rússia, mostrando que o sistema desvia salários de trabalho forçado sob a aparência de bolsas de estudo.

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O relatório observa ainda que algumas empresas e pessoas russas envolvidas no esquema têm ligação com o setor de defesa do país e já foram associadas ao apoio à guerra contra a Ucrânia.

A NKHR também identificou um fluxo paralelo de receitas gerado por uma ampla rede de entidades ligadas à Coreia do Norte que atuam na Rússia e transferem recursos para instituições centrais no país.

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Foram mapeadas mais de 100 organizações nesse sistema, incluindo estruturas vinculadas às Forças Armadas, à indústria de munições, ao aparato de segurança, ao Gabinete e ao Bureau 39. Segundo o relatório, altos dirigentes responsáveis por esses órgãos acumulam funções sob a liderança de Kim Jong Un, o que assegura o planejamento, a gestão e a supervisão dessas operações.

“Escravidão, evasão de sanções e financiamento militar formam um único sistema coordenado pelas estruturas superiores do Estado”, afirma Joanna Hosaniak, Diretora-Geral Adjunta da NKHR e principal investigadora do relatório. “A receita proveniente do trabalho forçado financia os programas de armas nucleares e balísticas da Coreia do Norte, enquanto o sistema é sustentado por intermediários ligados ao Estado e instituições russas que permitem o tráfico de mão de obra norte-coreana e o fluxo de fundos”.

Ainda segundo Hosaniak, “o lucro sustenta as próprias entidades militares norte-coreanas que operam fábricas clandestinas de armas para exportação, contribuindo para conflitos, incluindo a agressão da Rússia contra a Ucrânia.”

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