Após atrasos e impasses, países aprovam texto final da COP25

Participantes da cúpula do clima chegaram a um acordo para publicar um documento com o compromisso de unir esforços já para 2020

Cúpula do clima chega a um acordo neste domingo

Cúpula do clima chega a um acordo neste domingo

Lucas Jackson/Reuters - 23.9.2019

Os países que participam da Cúpula do Clima da ONU (COP25) chegaram a um consenso neste domingo (15), dois dias depois do previsto, para publicar um documento conjunto no qual se comprometem a ampliar os esforços para combater a mudança climática já em 2020 e a cumprir o Acordo de Paris.

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A falta de consenso obrigou a organização do evento a adiar o encerramento da COP, que ocorreria na sexta-feira. Depois de muito debate, os representantes dos países que estão em Madri, na Espanha, enfim conseguiram fechar um texto no qual se comprometem a evitar que a temperatura média do planeta suba 1,5 graus Celsius neste século.

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As negociações duraram toda a madrugada. O responsável pelo último dos impasses foi o Brasil, que não aceitava inicialmente dois parágrafos incluídos no acordo que faziam referências expressas sobre o papel dos oceanos e do uso da terra no clima global.

A intervenção foi criticada por delegações de vários outros governos. Indonésia, Costa Rica, Tuvalu, Belize, Austrália, Nova Zelândia, Ilhas Marshall, Egito, Canadá, Butão, Suíça, Rússia e Argentina pediram para que o Brasil não bloqueasse o pacto final.

A ministra de Meio Ambiente do Chile, Carolina Schmidt, que ocupa a presidência da COP, também interviu para pedir que o Brasil cedesse. "É algo muito importante e agradeceria a vocês se nos permitissem aprovar esse documento", afirmou.

O acordo final da COP estabelece que os países deverão apresentar no próximo ano compromissos mais ambiciosos de redução de emissões de carbono para enfrentar a crise climática.

Segundo o texto, o conhecimento científico será o "eixo principal" para orientar as decisões climáticas dos países. O plano que deverá ser apresentado em 2020 também precisará ser atualizado permanentemente de acordo com o avanço das pesquisas.

O documento também afirma que a transição para um mundo sem emissões deve ser justa, promovendo o emprego decente. Além disso, o acordo reconhece a ação climática dos atores governamentais e os convida a adotar estratégias compatíveis com o clima.

Com os atrasos para aprovar a declaração final, a COP25 tornou-se a edição mais longa das cúpulas do clima realizadas pela ONU. O evento, que ocorre em Madri devido à desistência do Chile de sediá-lo pelos protestos contra o governo de Sebastián Piñera, superou a COP17, que se prolongou por 36 horas além do previsto em 2011.