Após eleições, Venezuela corre risco de separatismo, avalia especialista
Grupo de 12 países pediu auditoria sobre votos para governadores
Internacional|Andrea Miramontes, do R7

Os resultados da eleição para governadores na Venezuela, que aconteceu no último domingo (15), gerou revolta na oposição e surpresa no mundo todo.
Apesar da crise que assola o país, os socialistas do presidente Nicolás Maduro conseguiram maioria surpreendente.
O partido ligado ao presidente Nicolás Maduro, o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), venceu as eleições para governador em 17 dos 23 Estados em que aconteceram as disputas.
Já a oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) elegeu governadores em 5 estados: Anzoátegui, Mérida, Nueva Esparta, Táchira e Zulia.
A oposição contesta os resultados eleitorais e pediu uma auditoria, além de organizar protestos nas ruas.
Nesta terça (17), um grupo de 12 países das Américas, conhecido como Grupo de Lima, pediu auditoria urgente sobre as eleições regionais. Estão na lista Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru, que aponta que a eleição foi feita com "atos de intimidação, manipulação e irregularidades".
Para o historiador e especialista em Relações Internacionais, Sidney Ferreira Leite, da Faculdades Belas Artes, não está descartada a possibilidade de fraude em algumas províncias, mas ele reconhece que a vitória surpreendente de Maduro fortaleceu o governo.
"A vitória foi maciça, o governo não teria trapaceado no país todo. Faz parte do jogo democrático aceitar vitórias e derrotas. A vitória foi maior do que esperávamos, em face ao caos econômico em que o país se encontra".
Risco de separatismo
De acordo com Carolina Silva Pedroso, pesquisadora de Venezuela da Unesp (Universidade Estadual Paulista), o resultado dessas eleições pode agravar o fantasma da instabilidade política no país. Mas ela reforça que tudo deve ser analisado.
"O chavismo quer continuar no poder, mas Maduro pode não ser o líder que eles querem. Essa eleição contou com observadores internacionais, mas não sabemos avaliar o quanto eles podem ser ou não parciais, para afirmar se houve ou não fraude."
Ela relembra ainda que os três Estados mais ricos do país - Táchira, Zulia e Mérida - ficaram com os votos dados à oposição. "Isto significa que, se o governo realmente controlasse tudo, teria pego para ele a vitória nesses lugares, que formam o coração econômico do país, rico em petróleo".
Carolina ressalta ainda que, com vitória da oposição nesses Estados, há o risco de ainda de começar um movimento separatista, como acontece hoje na Catalunha, "até mesmo pela proximidade física entre eles".









