Internacional Após fechamento de aeroporto, afegãos correm para fronteiras

Após fechamento de aeroporto, afegãos correm para fronteiras

Pessoas desesperadas para fugir do Talibã tentam entrar no Irã, no Paquistão ou em países do centro da Ásia

Fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão

Fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão

Saeed Ali Achakzai / Reuters - 27.08.2021

Multidões ansiosas para fugir do Afeganistão correram para as fronteiras do país enquanto filas longas se formavam nos bancos nesta quarta-feira (1º), e o vácuo administrativo existente desde que o Talibã assumiu o poder deixou doadores estrangeiros incertos sobre como reagir a uma crise humanitária iminente.

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A milícia islâmica se concentrou em manter bancos, hospitais e o aparato governamental funcionando depois que a retirada final das forças dos Estados Unidos na segunda-feira (30) encerrou uma ponte aérea maciça para a retirada de afegãos que ajudaram países ocidentais durante a guerra de 20 anos.

Como o aeroporto de Cabul está inoperante, esforços particulares para ajudar afegãos temerosos de represálias do Talibã se concentraram em obter passagem livres através das fronteiras com Irã, Paquistão e países do centro da Ásia.

Em Torkham, uma grande passagem de fronteira com o Paquistão pouco a leste da Passagem de Khyber, uma autoridade paquistanesa disse: "Um número grande de pessoas está aguardando a abertura do portão do lado do Afeganistão".

Milhares também se reuniram no posto de Islam Qala, na divisa com o Irã, disseram testemunhas.

"Senti que estar entre as forças de segurança iranianas trouxe um tipo de relaxamento para os afegãos ao entrarem no Irã, na comparação com o passado", disse um afegão de um grupo de oito que cruzavam.

Mais de 123 mil pessoas foram retiradas de Cabul durante a ponte aérea liderada pelos EUA depois que o Taliban dominou a cidade, em meados de agosto, mas dezenas de milhares de afegãos em risco ficaram para trás.

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Só a Alemanha estima que entre 10 mil e 40 mil funcionários afegãos ainda trabalhando para organizações de desenvolvimento do Afeganistão têm direito de ser levados para seu solo caso se sintam ameaçados.

O Talibã está conversando com o Catar e a Turquia sobre como administrar o aeroporto de Cabul, de acordo com o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, mas pode levar dias ou semanas para que estas negociações sejam finalizadas.

A fronteira terrestre do Uzbequistão com o Afeganistão permanecia fechada, mas seu governo disse que auxiliará afegãos em trânsito para a Alemanha pelo ar assim que os voos forem retomados.

Em uma resolução aprovada na segunda-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas pediu ao Talibã que dê passagem livre àqueles que desejam partir, mas não mencionou a criação de uma zona segura, uma medida apoiada pela França e outros.

O Taliban ainda não instaurou um governo novo, nem revelou como pretende governar — à diferença de 1996, quando um conselho de líderes foi formado horas após a tomada da capital.

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