Rússia x Ucrânia

Internacional Após não ajudar Armênia em conflito e ter derrotas na Ucrânia, Putin vê aliados se afastarem

Após não ajudar Armênia em conflito e ter derrotas na Ucrânia, Putin vê aliados se afastarem

Em cúpula da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), líder armênio denunciou incapacidade de aliados em ajudar país na guerra com o Azerbaijão

AFP

Resumindo a Notícia

  • 'Se a Rússia cair, nosso lugar ficará sob os escombros', disse presidente bielorrusso
  • Cazaquistão, o Quirguistão e o Tadjiquistão também fazem parte da OTSC
  • Muitos dos países da organização duvidam do futuro da aliança
  • Perda de influência da Rússia abre as portas para outras potências, como China e Turquia
O presidente russo, Vladimir Putin, participa da reunião dos líderes da CSTO em Yerevan

O presidente russo, Vladimir Putin, participa da reunião dos líderes da CSTO em Yerevan

Vladimir Smirnov/AFP - 23.11.2022

A Rússia, além das dificuldades militares na Ucrânia, enfrenta tensões internas na Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), aliança militar promovida por Moscou para manter sua área de influência no Cáucaso e na Ásia Central.

Durante uma cúpula do CSTO em Yerevan (Armênia), o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinián, denunciou a incapacidade de seus aliados em ajudar seu país na guerra com o Azerbaijão, com quem se disputa o controle da região de Nagorno Karabagh.

Um artigo do CSTO prevê que quando um dos países membros sofre uma agressão, os demais intervêm para defendê-lo, lógica semelhante à estabelecida pela OTAN.

Laurence Saubadu, Paz Pizarro, Maria-Cecilia Rezende, Julia Han Janicki/AFP - 23.11.2022

No entanto, apesar de seus repetidos pedidos, a Armênia não recebeu ajuda militar de seus aliados.

Pashinián denunciou que isso supõe "enormes danos à imagem do CSTO, tanto em nosso país como no exterior".

Além de sua não intervenção na Armênia, o papel da Rússia como potência regional e mundial foi enfraquecido pelas dificuldades militares na Ucrânia, segundo seus aliados de longa data.

"Acho que todos nós pensamos a mesma coisa: se a Rússia cair, nosso lugar ficará sob os escombros", disse o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, aliado de seu colega russo, Vladimir Putin.

"A Rússia está continuamente perdendo terreno. A confiança está enfraquecendo", disse à AFP Murat Aslat, pesquisador do think tank Seta, com sede em Ancara.

Em vez disso, a Turquia, que apoia o Azerbaijão na guerra com a Armênia, avança com seus peões para reforçar sua influência na Ásia Central.

"Deslocamento"


Também fazem parte do CSTO o Cazaquistão, o Quirguistão e o Tadjiquistão, além de Rússia, Armênia e a Bielo-Rússia

Muitos destes países duvidam, porém, do futuro desta organização, ainda mais tendo em conta as recentes tensões territoriais entre o Quirguistão e o Tajiquistão.

“Há cada vez mais competição e violações em vez de verdadeira cooperação e organização”, considera Murat, que observa “falta de identidade e consenso sobre problemas comuns”.

As autoridades russas estão oficialmente satisfeitas com o resultado da recente cúpula do CSTO. Esta organização serve para "garantir a defesa de nossos interesses nacionais e a soberania e independência de nossos países", disse Putin.

Mas a imprensa russa ficou menos satisfeita. "Os aliados têm prioridades diferentes", intitulou o jornal Kommersant na quarta-feira, e o jornal Nezavissimaia Gazeta assegurou que "em Yerevan, capital da Armênia, eles tentaram salvar a aliança do deslocamento", dadas as preocupações e interesses divergentes e a falta de solidariedade entre os países membros.

Richard Giragosia, diretor do think tank Centro de Estudos Regionais com sede em Yerevan, renomeou essa aliança com algum escárnio de "uma organização de tratado de insegurança coletiva". Este analista acredita que Putin é o principal responsável por seu declínio.

O futuro do CSTO não pode ser previsto, mas a perda de influência da Rússia abre as portas para que outras potências regionais ou mundiais aumentem sua influência na Ásia Central, como a Turquia ou a China.

O gigante asiático baseia sua influência geopolítica por meio da Organização de Cooperação de Xangai e seu projeto "novas rotas da seda".

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