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Assad seguro da vitória na Síria; apelo por investigações sobre crimes de guerra

Internacional|Do R7

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O presidente sírio Bashar al-Assad disse estar certo da vitória de suas tropas contra os rebeldes, em um momento em que Carla del Ponte, da Comissão de Investigação independente da ONU, pediu que a justiça internacional seja acionada para investigar os crimes de guerra.

Tão inflexível quanto no início da revolta contra o seu regime, Assad afirmou ter certeza de que pode vencer a guerra, em declarações feitas a políticos libaneses e reproduzidas nesta segunda-feira por um jornal pró-Síria de Beirute.

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"Estamos convencidos de que o futuro pertence a nós. A Síria vai derrotar a conspiração", disse Assad, segundo o jornal As-Safir.

"Estamos confiantes na vitória", indicou, salientando as "façanhas políticas e militares" do regime. "Isso não significa que tudo está resolvido, ainda temos muito a fazer na política e na luta contra os grupos extremistas terroristas", acrescentou.

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Bashar al-Assad compara os rebeldes aos terroristas e os acusa de serem financiados e apoiados pelo exterior, principalmente pela Arábia Saudita, Qatar e Turquia.

Em 23 meses, o conflito já custou 70 mil vidas, segundo a ONU.

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O presidente sírio também afirmou que os "fieis a seu regime representam uma maioria absoluta dos sírios", argumentando que o corpo diplomático sírio se manteve firme durante dois anos, apesar de "milhões de dólares" oferecidos para embaixadores e cônsules. Quatro diplomatas, incluindo dois embaixadores, desertaram em 2012, assim como muitos políticos e militares, incluindo um ex-primeiro ministro.

No terreno, a batalha continua nos arredores dos aeroportos de Aleppo, no norte do país. Os rebeldes tomaram o controle nesta segunda-feira de um posto de controle militar na estrada que leva ao aeroporto internacional, de acordo com uma ONG síria, enquanto as tropas leais bombardeiam as zonas insurgentes na região.

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Nesta segunda-feira, os rebeldes apreenderam um posto de controle militar na estrada para o Aeroporto Internacional de Aleppo, como parte da "grande batalha dos aeroportos" na região, informou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), que conta com uma rede de ativistas e médicos de todo o país.

Já o Exército sírio afirmou que se prepara para "limpar" nas próximas 48 horas a área mantida pelos insurgentes, enquanto os combates prosseguem.

Em 12 de fevereiro, os rebeldes lançaram a "Batalha dos aeroportos", na região de Aleppo, na tentativa de neutralizar a principal vantagem do regime, seu poder de fogo aéreo.

--- Relatório devastador sobre crimes de guerra ----

Frente ao horror da violência que tirou a vida de 70.000 pessoas e levou ao êxodo milhares de refugiados, Carla Del Ponte declarou em Genebra que esta é a hora da justiça internacional agir a respeito dos crimes de guerra cometidos no país.

"Nós sugerimos o Tribunal Penal Internacional", disse, ao apresentar o novo relatório da comissão denunciando a escalada de crimes de guerra cometidos pelo regime e pelos rebeldes.

"É incrível que o Conselho de Segurança da ONU não tomou qualquer decisão" em dois anos, lamentou.

A ex-procuradora lembrou que a Comissão forneceu ao Conselho da ONU uma lista, mantida em segredo, com os nomes dos oficiais envolvidos em crimes de guerra na Síria.

De acordo com o novo relatório da Comissão de Investigação, criada em 2011 e que ainda não foi capaz de visitar a Síria, o conflito "também reduziu a zero toda a estrutura social complexa do país" e "põe em risco as gerações futuras e ameaça a paz e a segurança em toda a região".

O relatório condena os dois protagonistas do conflito por crimes de guerra, ressaltando que o governo é o principal responsável pelas atrocidades cometidas.

"As duas partes do conflito violaram as regras internacionais de direitos das crianças, utilizando-os como infantaria", prosseguiu.

Além disso, afirma que o impacto do conflito na Síria pode afetar várias gerações e ameaçar a segurança em todo o Oriente Médio.

"A profundidade da tragédia síria se reflete de maneira dolorosa no número de vítimas. As experiências atrozes relatadas pelos sobreviventes revelam violações dos direitos humanos, crimes de guerra e crimes contra a humanidade", afirma o relatório de 131 páginas da comissão de investigação internacional e independente da ONU.

"A dinâmica destruidora da guerra civil coloca em risco as futuras gerações e ameaça a paz e a segurança em toda a região", completa o documento.

A Comissão não viajou à Síria, onde o regime do presidente Bashar al-Assad enfrenta, desde março de 2011, uma rebelião que virou guerra civil e que já provocou 70.000 mortes, segundo estimativas da ONU.

Em um primeiro relatório, publicado em agosto de 2012, baseado em quase mil entrevistas com vítimas, a comissão acusou os dois lados por crimes de guerra, mas admitiu uma responsabilidade menor dos rebeldes.

bur-ram-rm/sw/mr/cn

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