Ataque do Estado Islâmico mata 25 pessoas em templo no Afeganistão

O ataque ocorre em meio ao compromisso alcançado pelos EUA e Talibã de iniciar a retirada gradual de tropas internacionais do solo afegão 

O ataque deixou 26 mortos e 15 feridos

O ataque deixou 26 mortos e 15 feridos

EFE/EPA/Jawed Kargar

Um ataque terrorista contra um templo da minoria sikh, em Cabul, realizado nesta quarta-feira (25) deixou pelo menos 25 mortos - além do autor - e 15 feridos, em ação que durou horas e foi reivindicada pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

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As informações foram divulgadas pelo Ministério do Interior do Afeganistão, primeiro em comunicado e depois em entrevista coletiva.

"Outro ataque terrorista implacável e covarde a um local de culto em Cabul. O governo afegão condena veementemente o ataque insensato de hoje", disse Sediq Sediqqi, porta-voz do Palácio Presidencial no Twitter.

O ataque suicida começou por volta das 7h45 local (18h45 desta terça-feira pelo horário em Brasília), em um templo sikh no centro da capital afegã. No momento, cerca de 100 pessoas estavam no local.

Após seis horas de confronto com o autor da ação, as forças de segurança locais conseguiram retirar aproximadamente 80 fiéis que estavam presos dentro do complexo.

O grupo jihadista do Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelo ataque, por meio da agência de notícias "IS Amaq", com quem mantém ligação. O veículo relatou o ataque "suicida" na capital afegã, sem fornecer mais detalhes.

Até o momento, nem as autoridades afegãs nem o grupo jihadista deram detalhes sobre o número de pessoas envolvidas com a ação.

Os talibãs, imediatamente, se manifestaram para negar a participação no ataque, a partir do momento que surgiram as primeiras acusações contra os rebeldes.

A Comissão Independente de Direitos Humanos do Afeganistão (AIHRC) também expressou, em uma breve declaração, a preocupação de que "ataques sistemáticos contra as minorias religiosas do país continuem".

No país asiático, ataques contra minorias costumam ser reivindicados pelo EI, como aconteceu em 2018, quando um ataque suicida do grupo jihadista matou o único candidato sikh às eleições parlamentares afegãs.

Mais de quatro décadas de conflito armado no Afeganistão forçaram milhares de sikhs e hindus, ambas religiões originárias do subcontinente indiano, a fugir do país e buscar refúgio no exterior, especialmente na Índia.

Isso fez com que sua presença no Afeganistão fosse drasticamente reduzida, de cerca de 200 mil membros há 30 anos para cerca de 1.500 hoje.

O ataque de hoje ocorre em meio ao compromisso alcançado pelos Estados Unidos e pelo Talibã de iniciar a retirada gradual de tropas internacionais do solo afegão em 14 meses. O acordo histórico foi alcançado em 29 de fevereiro em Doha.