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Ataque extremista contra revista satírica deixa 12 mortos em Paris

Internacional|Do R7

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Por Alexandria Sage e John Irish

PARIS (Reuters) - Homens armados e encapuzados invadiram nesta quarta-feira a redação em Paris de uma revista conhecida por satirizar o Islã e outras religiões e mataram pelo menos 12 pessoas, no ataque extremista com mais mortes no território francês em décadas.

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A polícia iniciou uma caçada aos agressores, que escaparam depois de matar a tiros alguns dos principais cartunistas franceses na revista semanal Charlie Hebdo, além de dois policiais.

Um dos agressores foi filmado do lado de fora do edifício gritanto "Allahu Akbar!" (Deus é o maior), enquanto se ouviam os tiros. Outro foi até um policial ferido e deitado na rua e disparou um rifle contra ele a queima-roupa, antes dos dois calmamente entrarem num carro preto e deixarem o local.

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Uma autoridade do sindicato policial disse que os homens, três no total, permaneciam soltos, e havia temores de mais ataques. Uma autoridade descreveu a cena na redação como uma carnificina, com mais quatro feridos lutando para sobreviver.

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VIGÍLIA PELA FRANÇA

Dezenas de milhares de pessoas se reuniram em atos improvisados ao redor da França em memória das vítimas e em apoio à liberdade de expressão.

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O governo declarou o mais elevado estado de alerta, intensificando a segurança nos transportes, locais religiosos, redações de meios de comunicação, lojas de departamento, enquanto a busca aos agressores continuava.

Alguns moradores de Paris expressaram medo em relação aos efeitos dos ataques para as relações entre comunidades na França, país que tem a maior população muçulmana da Europa.

"Isso é ruim para todo mundo, particularmente para os muçulmanos, apesar do fato de que o Islã é uma religião boa. Corre o risco de fazer uma situação ruim ficar pior", disse à Reuters Cecile Electon, que trabalha com arte e que se descreveu como ateia. Ela participava de uma vigília em Paris que reuniu 35 mil pessoas.

A revista Charlie Hebdo é conhecida por provocar controvérsias com sátiras a líderes religiosos e políticos e já publicou várias caricaturas ridicularizando o profeta Maomé. Extremistas alertaram repetidas vezes pela Internet que a revista pagaria por isso.

A última mensagem da revista no Twitter debochava de Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico, grupo que tomou o controle de partes dos territórios do Iraque e da Síria e defendeu ataques em solo francês.

Ninguém assumiu a responsabilidade pelo ataque à revista. No entanto, uma testemunha citada pelo jornal diário 20 Minutes disse que um dos agressores gritou antes de entrar no carro: "Diga à mídia que isso é al Qaeda no Iêmen!".

Simpatizantes do Estado Islâmico e outros grupos extremistas comemoraram os ataques na Internet. Governos europeus expressaram o temor de que combatentes voltando do Iraque ou da Síria poderiam realizar ataques nos seus países de origem.

"Hoje, a República Francesa como um todo foi o alvo", disse o presidente francês, François Hollande, num pronunciamento na televisão, declarando a quinta-feira dia nacional de luto.

Num vídeo exibido pela TV francesa iTELE, os agressores são ouvidos gritando em francês: "Matamos Charlie Hebdo. Vingamos o profeta Maomé."

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EXECUÇÕES

O promotor parisiense François Molins disse que os agressores mataram um homem na entrada do edifício para forçar a passagem. Eles então foram para o segundo andar e abriram fogo contra uma reunião editorial com oito jornalistas, um policial que fazia a proteção do diretor da revista e um convidado.

"O que vimos foi um massacre. Muitas das vítimas foram executadas, a maior parte delas com ferimentos na cabeça e no peito", afirmou à Reuters Patrick Hertgen, do serviço de emergência que atendeu aos feridos.

Entre os mortos estão o cofundador Jean "Cabu" Cabut e o editor-chefe Stephane "Charb" Charbonnier.

Um atentado com bomba incendiária já havia destruído a antiga sede da revista em novembro de 2011 depois que a publicação estampou na capa uma imagem do profeta Maomé.

O diretor do Conselho Francês da Fé Muçulmana, Dalil Boubakeur, condenou um "ato imensamente bárbaro também contra a democracia e a liberdade de imprensa" e disse que os seus autores não poderiam dizer que são verdadeiros muçulmanos.

Rico, um amigo de Cabut, que se juntou à vigília em Paris, disse que seu amigo pagou por pessoas que não entenderam o seu humor.

"Estes ataques só vão piorar. É como um tsunami, não vai parar, e o que está acontecendo hoje provavelmente irá alimentar a Frente Nacional", disse ele à Reuters.

A Frente Nacional, de extrema-direita, tem ganhado apoio de pessoas descontentes com a imigração na França. Alguns temem que o ataque desta quarta-feira possa ser usado para alimentar a agitação anti-islâmica.

(Reportagem adicional de Brian Love, Sophie Louet, Ingrid Melander, Gerard Bon, Dominique Rodriguez e Ali Abdelaty, no Cairo)

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