Atuação da polícia durante protesto na capital paulista será investigada
Internacional|Do R7
Rio de Janeiro, 14 jun (EFE).- As autoridades da cidade de São Paulo anunciaram nesta sexta-feira a abertura de uma investigação para determinar possíveis abusos por parte da polícia durante a repressão dos manifestantes que protestam há uma semana contra o aumento no preço das tarifas de ônibus. A investigação em questão foi anunciada depois que o protesto iniciado na tarde de ontem, que mobilizou cerca de 5 mil pessoas, terminasse em uma verdadeira batalha campal entre policiais e manifestantes, a qual deixou dezenas de feridos, incluindo sete jornalistas, além de 237 pessoas detidas. Em declarações à imprensa hoje, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, informou que a secretaria municipal de Segurança Pública já abriu uma investigação para apurar "eventuais abusos" por parte das autoridades. Embora a polícia tenha ressaltado que se limitou a usar armas não letais, como gás lacrimogêneo e balas de borracha, as imagens divulgadas após o protesto mostram os manifestantes, que até então defendiam um protesto pacífico com gritos de "sem violência", sendo agredidos duramente, assim como fotógrafos e jornalistas. "A (imagem) da polícia não ficou bem. Porém, não se trata de algo vindo da corporação, mas de indivíduos isolados, cuja conduta terá que ser investigada", afirmou o prefeito ao falar sobre o protesto que se estendeu por mais de quatro horas. Segundo Haddad, nas três primeiras manifestações registradas nesta semana, em que os conflitos não foram tão violentos como o registrado ontem, a "polícia aparentemente cumpriu os protocolos para tratar deste tipo de caso", mas, com relação a última manifestação, "esses protocolos não foram seguidos". O prefeito também citou enquetes que reconhecem que a maioria da população da capital paulista está de acordo com os protestos contra o aumento das tarifas de transporte público - R$ 3,20, no caso de SP -, mas, por outro lado, ressaltou que a mesma parcela da população não concorda com os métodos violentos utilizados por alguns dos manifestantes, como a depredação de estações do metrô, agências bancárias, prédios públicos e privados, além de cerca de 100 ônibus. Para o prefeito da capital paulista, a imagem que ficou dos protestos anteriores foi a da violência dos manifestantes, algo diferente da última manifestação, marcada pela violência policial. Apesar da violência e da grande polêmica criada em torno do assunto, tanto o governo como a prefeitura de São Paulo alegaram que os manifestantes têm motivações políticas e confirmaram o reajuste da tarifa de ônibus, tido como o menor nos últimos anos. "A Prefeitura fez um grande esforço para que o aumento fosse o menor possível", assegurou Haddad. Diante destas declarações, a ONG Movimento Passe Livre (MPL), que defende o transporte público gratuito e liderou as manifestações da última semana em várias cidades do país, programou uma nova mobilização em São Paulo para a próxima segunda-feira. A organização Anistia Internacional divulgou um comunicado na noite de ontem para manifestar sua preocupação com o aumento da violência na repressão dos protestos contra o aumento das tarifas, assim como pela detenção arbitrária de jornalistas. EFE cm/fk










