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Bachelet quer criar novo órgão para investigar crimes contra rohingyas

Equipe reuniria provas visando um futuro processo de crimes cometidos contra muçulmanos rohingyas de Mianmar, incluindo assassinatos e torturas

Internacional|Do R7

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Rohingya fotos Pulitzer
Rohingya fotos Pulitzer Reuters / Cathal McNaughton / 24.9.2017

A chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, pediu nesta segunda-feira (10) a criação de um novo organismo para reunir provas visando um futuro processo de crimes cometidos contra muçulmanos rohingyas de Mianmar, incluindo assassinatos e torturas.

Uma equipe de investigadores independentes da ONU disse, em um relatório publicado no mês passado, que existem indícios de "intenção genocida" dos militares contra os rohingyas e que crimes contra a humanidade e crimes de guerra parecem ter sido cometidos.

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Os investigadores identificaram seis generais de Mianmar, incluindo o comandante-chefe das Forças Armadas do país, dizendo que deveriam ser levados à Justiça.

Êxodo completou um ano

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Um ano atrás, tropas do governo conduziram uma operação repressiva brutal em Rakhine, um estado de Mianmar, em reação a ataques do Exército de Salvação Arakan Rohingya (Arsa) a 30 postos policiais e uma base militar do país.

Cerca de 700 mil rohingyas fugiram da repressão, e hoje a maioria mora em campos de refugiados na vizinha Bangladesh.

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Em seu primeiro discurso ao Conselho de Direitos Humanos da ONU desde que tomou posse em 1º de setembro, Bachelet disse que os ataques e a perseguição parecem continuar em Rakhine. Investigadores também encontraram indícios de execuções, tortura e violência sexual contra minorias nos Estados de Kachin e Shan, disse.

"A persistência destes padrões de violações sublinha a impunidade total concedida às forças de segurança de Mianmar", disse Bachelet ao fórum de 47 membros em Genebra, que inaugurou uma sessão de três semanas.

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Crimes contra a humanidade

Ela louvou o fato de o procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI) ter decidido, na semana passada, que sua corte tem jurisdição sobre as supostas deportações de rohingyas de Mianmar para Bangladesh por vê-las como possíveis crimes contra a humanidade.

"Este é um passo imensamente importante para acabar com a impunidade e tratar do sofrimento enorme do povo rohingya".

"Também louvo os esforços de Estados-membros deste Conselho para estabelecerem um mecanismo internacional independente para Mianmar, para reunir, consolidar, preservar e analisar indícios dos crimes internacionais mais graves de forma a acelerar julgamentos justos e independentes em cortes nacionais e internacionais".

Mianmar negou ter cometido atrocidades contra os rohingyas, dizendo que seus militares realizaram ações justificáveis contra militantes e sinalizando que não pretende cooperar com o TPI.

Relembre o êxodo rohingya:

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