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Brasileiro detido em aeroporto de Londres por caso Snowden vai à Justiça

Internacional|Do R7

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LONDRES, 6 Nov (Reuters) - O parceiro brasileiro do jornalista Glenn Greenwald, que divulgou ao mundo os vazamentos feitos pelo ex-técnico de inteligência norte-americano Edward Snowden, recorreu nesta quarta-feira à Justiça britânica para contestar a legalidade de sua detenção em agosto, no aeroporto londrino de Heathrow.

David Miranda passou nove horas sob custódia quando fazia uma conexão entre Berlim e o Rio de Janeiro levando um disco rígido de computador que foi apreendido pelas autoridades britânicas com base em uma lei de combate ao terrorismo.

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As revelações do caso Snowden, sobre as atividades de espionagem praticadas pelos serviços de inteligência dos EUA e da Grã-Bretanha, causaram constrangimentos para os países envolvidos, que acusaram Snowden de ter municiado inimigos com informações importantes.

As autoridades britânicas dizem que o material apreendido com Miranda incluía 58 mil documentos eletrônicos obtidos da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), onde Snowden trabalhava, e do órgão britânico equivalente, conhecido pela sigla GCHQ.

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Em declarações submetidas à Alta Corte britânica, Greenwald, que mora no Rio, e Miranda alegaram que as autoridades em Londres igualaram erroneamente a atividade jornalística com o terrorismo e que confiscaram material que teria uso jornalístico.

"A publicação responsável de materiais delicados não é um ato de terrorismo. E os envolvidos nesse trabalho --os jornalistas e os que os assessoram-- não estão envolvidos em atividade terrorista", disse Greenwald na declaração à Justiça.

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"É irracional sugerir que materiais delicados nas mãos de jornalistas responsáveis e de sua equipe devam ser equacionados a materiais delicados nas mãos de terroristas", acrescentou ele. "Tais sugestões revelam um perturbador mal entendido sobre o trabalho que os jornalistas fazem."

Miranda disse acreditar que as autoridades britânicas tenham planejado sua detenção durante muito tempo, a fim de ter acesso ao material entregue por Snowden.

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"Eles sempre pretenderam me deter por algum tempo, porque seu propósito primário era acessar o material que eu estava carregando, em vez de investigar ou me interrogar sobre o terrorismo", disse Miranda em sua declaração.

Na defesa apresentada nesta quarta-feira, o assessor-adjunto de Segurança Nacional do governo britânico, Oliver Robbins, alegou que os serviços de segurança tinham a obrigação de avaliar se os dados transportados por Miranda seriam uma ameaça ao país.

"Quando se tornou aparente que o senhor Miranda iria retornar ao Brasil pelo aeroporto de Heathrow, o Serviço de Segurança tinha o dever de obrigação nacional de estabelecer a natureza da atividade do senhor Miranda, para obter informações sobre se e quais materiais sigilosos do Reino Unido o senhor Miranda estava portando", declarou ele.

A audiência sobre o caso deve durar dois dias.

(Reportagem de Costas Pitas)

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