Brasileiro que salvou filho de jacaré lamenta morte em Orlando: "Essa família não teve a mesma sorte"
Em 1996, com a ajuda da esposa, ele impediu morte do filho Alexandre, em caso famoso
Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

A morte do menino de dois anos, arrastado por um jacaré em um lago de Orlando, Estados Unidos, abalou o mundo na última quarta-feira (15). Mas uma família em especial, do brasileiro Alexandre Teixeira, 27 anos, sentiu com mais intensidade o drama vivido pelos familiares da criança, que vivia no Nebraska. Alexandre, quando tinha sete anos, passou por situação similar em julho de 1996 (há quase 20 anos), quando foi atacado por um jacaré durante as férias em Miami, também no Estado da Flórida.
Seu caso ficou famoso e ele sobreviveu graças à intervenção de seu pai, Helio Janny Teixeira que, ajudado pela mulher, conseguiu retirar o então menino da boca do animal. O fato marcou a história da família. E a morte da criança trouxe um sentimento de tristeza, conforme Alexandre relatou ao R7.
— Fico muito triste com o que aconteceu. Tal fatalidade é a última coisa que alguém espera quando vai passar férias. Do ponto de vista pessoal, a situação me faz lembrar o que passei e quanta sorte eu tenho. O desfecho comigo felizmente foi diferente.
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O pai dele, Teixeira, ressalta que a tragédia poderia ter acontecido com a sua família. E também se solidariza com a família do menino.
— Sem dúvida a morte dessa criança mexe conosco. A gente fica pensando no que nos aconteceu e pensamos que tivemos muita sorte. Infelizmente, essa família não teve a mesma sorte que tivemos. Quero ressaltar meu sentimento de comiseração e tristeza em relação ao pai e à família dessa criança.
A situação vivida por Alexandre, segundo Teixeira, foi surpreendente porque, diferentemente do parque em Orlando, o ataque do jacaré ocorreu em um parque aberto, onde os animais circulavam livremente e não havia tantas restrições.
— A hipótese mais considerada lá é que o aligator (jacaré) não ataca porque esse parque, Everglades, é de visitação, tendo muitos aligators que circulam sem cercas e proteções. Pela experiência de quem maneja o parque, o aligator não ataca as pessoas (por se sentir mais protegido e acompanhado) que podem andar, passear e até ver os animais. Mas não foi bem assim que aconteceu conosco, dadas as circunstâncias com que meu filho foi atacado.
Costelas quebradas
Teixeira, que aos 66 anos continua dando aulas de Administração na FEA/USP (Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo), conta que o menino perdeu o controle da bicicleta e caiu em uma espécie de canal, às margens da trilha. Imediatamente foi atacado pelo animal. Ele só se salvou porque a irmã, Clodine, então com 12 anos, foi ver por que o irmão estava demorando e, percebendo a queda, gritou para a mãe, Maria Odeth, que pedalava levando o caçula Otávio, então com quatro anos. Ela avisou o pai, lá na frente, que correu para acudir o filho. Teixeira diz que há um lado da história que virou lenda.
— Tem um lado de lenda. A lenda é que com minha força hercúlea eu abri a boca do aligator. A realidade é que estáavamos andando de bicicleta, minha mulher gritou eu então eu ouvi (antes ele não soube do grito da filha). Fui para cima do aligator, como se fosse um osso na boca. A mandíbula dele, depois soube, era de 66 cm. Agarrei a boca por trás e tentei abrir, minha esposa veio correndo, enfiou a mão na boca do animal, depois de um tempo ele abriu e ela conseguiu puxar o Alê (Alexandre). A lenda é que eu abri a boca e é impossível, se quiser mentir poderia falar que abri e puxei.
Segundo ele, o episódio serviu para unir ainda mais a família e não gerou trauma. O pai conta que, por anos, o filho recebeu apelidos, do tipo Jaca, Alegator, Chiclete de Jacaré, mas encarou com naturalidade a situação, que de certa maneira estará sempre presente na história dos Teixeira. Eles já voltaram várias vezes para a Flórida, principalmente para assistir ao Miami Open Tenis, esporte que Alexandre e Otávio praticaram com seriedade até o vestibular.
— Foi uma situação séria, mas não ficou nenhum trauma. O Alê teve duas costelas quebradas, uma perfurou um pulmão (hemopneumotóorax), mas passou por um bom tratamento no hospital e hoje só tem uma pequena marca da dentada. Ele nunca deixou de dormir depois por causa do episódio. Ele estava distraído e o aligator deu um bote muito forte, que provocou uma espécie de desmaio com a pancada no peito. Então ele não tomou susto, não se viu em situação de perigo.
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Depois do ocorrido, Alexandre se formou engenheiro pela Poli, na USP, passou um ano no Estado americano de Illinois e agora irá para uma MBA em finanças em Warthon, na Pensilvânia, Estados Unidos. Muitos estudos, trabalho e planos. As lembranças ficam mais fortes quando ocorrem acontecimentos como o de Orlando. E junto com o alívio pelo final feliz, a família Teixeira lamenta que o menino que morreu não possa viver tudo que Alexandre viveu depois.
— Nossas famílias, em situações semelhantes, estavam em lugares plácidos, tranquilos e de repente viram um filho desaparecendo de uma hora para outra. Para eles foi uma perda inexplicável, que nos deixa muito chateados. Para nós, a sorte prevaleceu. A boca do aligator, que não enxerga bem, pegou no peito, mais protegido, e não na cabeça do Alê.
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