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Campanha pede boicote ao sultão de Brunei por país adotar sharia

Cantores, atores e ONGs de todo o mundo pediram boicote ao governo do sultão Hassanal Bolkiah por criminalizar a homossexualidade e o adultério

Internacional|Da EFE

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Sultão de Brunei foi criticado por adotar a sharia
Sultão de Brunei foi criticado por adotar a sharia

Integrantes de ONGs de direitos humanos, atores e cantores que se opõem à implantação da sharia (conjunto de leis islâmicas) em Brunei convocaram um boicote ao governo do sultão Hassanal Bolkiah.

O novo Código Penal, que entrará em vigor na quarta-feira, inclui o apedrejamento por crimes homossexuais e adultério, a amputação de mãos ou pés por roubo, a pena de morte por blasfêmia ou difamação do nome do profeta Maomé e a flagelação por aborto, entre outras medidas.

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"O sigilo com o qual tentaram introduzir as leis é alarmante", destacou Matthew Woolfe, da ONG The Brunei Project.

O escritório do primeiro-ministro, que é o sultão Hassanal Bolkiah, anunciou a medida no sábado com um breve comunicado no qual defende que a sharia ajudará a manter "a paz e a ordem" e tem como objetivo "educar, respeitar e proteger os direitos legítimos de todos os indivíduos de qualquer raça e fé". O país, que possui enormes reservas de petróleo e gás, começou a introduzir os castigos baseados na lei islâmica em 2014, com uma primeira bateria de emendas para as penas mais brandas.

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"Devemos usar qualquer poder e influência para pedir aos nossos governos que intercedam diante das autoridades de Brunei", disse à Agência Efe Rachel Chhoa-Howard, pesquisadora de Sudeste Asiático na Anistia Internacional.

O ator americano George Clooney pediu, em um artigo publicado no portal "Deadline", o boicote aos hotéis de propriedades do sultão, entre eles o Beverly Hills Hotel, em Los Angeles; Hotel Plaza Athenee, em Paris; e Hotel Eden, em Roma.

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"Vamos ser claros, cada vez que nos hospedamos, jantamos ou fazemos reuniões em qualquer um desses nove hotéis, estamos colocando dinheiro diretamente no bolso de homens que escolhem apedrejar e matar seus próprios cidadãos por serem gays ou acusados de assassinato ou adultério", escreveu Clooney.

O cantor britânico Elton John se uniu ao pedido. No Twitter, ele lembrou que "amor é amor" e disse que "poder amar como escolhemos é um direito humano básico". O astro parabenizou o posicionamento do amigo "contra a discriminação e o fanatismo anti-gay que ocorrem em Brunei" e listou os hotéis que teriam que ser boicotados.

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A nova legislação será aplicada principalmente aos cidadãos muçulmanos, que representam 70% da população do país (de cerca de 400 mil habitantes), mas em alguns casos também será utilizada com estrangeiros ou fiéis de outras crenças.

Bolkiah, de 71 anos, é o segundo monarca de um país há mais tempo no trono (assumiu o poder aos 21 anos, em 1967), atrás apenas da rainha Elizabeth II, do Reino Unido. Além disso, é um dos homens mais ricos do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 20 bilhões.

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