Internacional Candidata derrotada em Belarus pede libertação de liderança opositora

Candidata derrotada em Belarus pede libertação de liderança opositora

Comitê de Fronteira de Belarus confirmou a detenção de opositora, que foi abordada  na região central de Minsk e levada para um destino desconhecido

  • Internacional | Da EFE

 Comitê de Fronteira de Belarus confirmou a detenção de Maria Kolesnikova

Comitê de Fronteira de Belarus confirmou a detenção de Maria Kolesnikova

Tatyana Zenkovich - EFE/EPA 17.08.2020

Candidata derrotada nas recentes eleições presidenciais de Belarus, Svetlana Tsikhanovskaya, exigiu nesta terça-feira (8) que o governo do país liberte a líder do movimento de protestos no país e membro do grupo de transição política, Maria Kolesnikova, que foi detida em Minsk.

"Deve ser colocada em liberdade imediatamente, como todos os membros do Conselho Coordenador e os presos políticos detidos anteriormente", afirmou a concorrente no pleito vencido pelo atual chefe de governo, Alexander Lukashenko, que está exilada na Lituânia, por meio da assessoria de imprensa.

Tsikhanovskaya destacou que existe hoje no país um grupo que visa fazer uma transição pacífica no poder em Belarus, já que o atual presidente está no poder desde a independência do país, que fazia parte da antiga União Soviética.

"A tarefa do Conselho Coordenador é ser uma plataforma para as negociações. Não há outra solução e Lukashenko deve se dar conta disso. Não se pode deter as pessoas como refém. Ao sequestrar pessoas em plena luz do dia, Lukashenko demonstra sua fraqueza e medo", garantiu a candidata derrotada.

Confirmação de detenção

O Comitê de Fronteira de Belarus confirmou a detenção de Kolesnikova, que foi abordada por um grupo de mascarados na região central de Minsk e levada para um destino desconhecido em um microônibus.

O vice-ministro do Interior da Ucrânia, Anton Gueraschenko, escreveu hoje no Facebook que a ativista seria "expulsa forçadamente" de Belarus junto com dois outros membros do Conselho Coordenados, Anton Rodnenkov e Ivan Kravtsov, que também foram dados como desaparecidos ontem.

Ambos, de acordo com o serviço de patrulha fronteiriça da Ucrânia, estão no país.

Uma fonte da agência de notícias Interfax-Ucrania indicou que Kolesnikova e os outros dois ativistas foram levados em um automóvel para a Ucrânia, mas ela não conseguiu ser retirada do país de origem porque rasgou o próprio passaporte.

"Não a conseguiram expulsar de Belarus. Essa valente mulher tomou medidas para impedir o cruzamento da fronteira. Ela ficou no território da República de Belarus", garantiu Gueraschenko.

Líder da oposição

Kolesnikova, presidente do Conselho Coordenador, era a única das três mulheres que se opuseram a Lukashenko que permanecia em Belarus, já que Tsikhanovskaya, após as eleições, partiu para a Lituânia, onde também está Veronika Tsepkalo.

Essa última, coordenadora da campanha do marido, Valeri Tsepkalo, repetiu os passos dele e também deixou o país.

Atualmente, dos sete integrantes do Conselho Coordenador, apenas dois não foram presos, o jurista Maxim Znak, e a escritora Svetlana Alexievich, prêmio Nobel de Literatura.

Últimas