Carro espião? Polônia proíbe marcas chinesas de circularem em zonas militares
País tem preocupações de que sensores embarcados nos automóveis possam ser usados para coletar dados sensíveis
Internacional|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

As Forças Armadas da Polônia proibiram a entrada de carros fabricados na China em instalações militares para proteger segredos de Estado. A medida reflete a preocupação de que automóveis conectados chineses possam ser explorados como “carros espiões” pelo governo chinês.
No comunicado divulgado na última quarta-feira (18), as Forças Armadas da Polônia afirmaram que os carros modernos poderiam “coletar e utilizar dados confidenciais sem controle” devido aos sensores e sistemas de comunicação de última geração embarcados. Com isso, ficou proibido o acesso a zonas militares de veículos com capacidade de localização, vídeo e gravação de voz.
O comunicado também afirmou que a conexão de telefones celulares militares a sistemas em veículos fabricados na China será restrita.
LEIA MAIS
Os carros conectados são veículos capazes de coletar e transmitir grandes quantidades de dados, que vão além de simples informações de direção, por meio de radares, sensores e câmeras de alta resolução. Isso tem gerado preocupações de que fabricantes chineses possam compartilhar dados sensíveis coletados por esses veículos com as autoridades chinesas ou usá-los para sabotagem por meio de ataques cibernéticos.
A medida surge em meio ao aumento acentuado nas vendas de veículos chineses na Polônia nos últimos anos. De acordo com o jornal local Rzeczpospolita, os veículos de marcas chinesas representaram 14,5% de todos os carros de passageiros recém-registados no ano passado.
Ameaças cibernéticas
O ambiente de segurança da Polônia, que tem sido exposto a ciberataques da Rússia e da Bielorrússia desde a guerra na Ucrânia, também é visto como um fator. A crescente proximidade entre a Rússia e a China intensificou os temores de compartilhamento de informações confidenciais.
“Considerando as avançadas capacidades de ciberataque da China e as diretrizes da estratégia de fusão militar-civil, a possibilidade de utilização agressiva da tecnologia de carros conectados não pode ser descartada”, afirma um recente relatório do Centro de Pesquisa Oriental OSW, de Varsóvia, divulgado pelo jornal sul-coreano Chosun.
“À medida que a cooperação estratégica entre a China e a Rússia se aprofunda, existe um risco significativo de que os dados coletados por veículos chineses que atualmente circulam em estradas europeias possam ser compartilhados com o governo russo”, acrescenta.
O governo da China reagiu antes da adoção oficial da medida. Questionado pela imprensa polonesa, o ministro das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que “o abuso do conceito de segurança nacional deve ser interrompido”.
Países adotam medidas semelhantes
Medidas semelhantes já foram introduzidas em outros países. O Reino Unido impôs restrições a veículos chineses perto de locais sensíveis, enquanto Israel retirou carros chineses alugados das frotas usadas por seus agentes.
Os EUA planejam banir o uso de software em carros conectados chineses a partir de março do próximo ano e proibir totalmente o uso de hardware até 2029.
A medida adotada por Varsóvia espelha os passos dados por Pequim. Desde 2021, as autoridades chinesas vêm limitando o acesso de veículos Tesla, fabricados nos EUA, a instalações militares, alegando preocupações com a segurança nacional e a proteção de dados.
As restrições na Polônia não se aplicam a locais militares de acesso público, como hospitais, clínicas, bibliotecas, escritórios de promotores ou clubes de guarnição.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp











