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Casamento civil no Líbano, muito além de uma questão de amor

Legislação libanesa não reconhece matrimônio pela forte pressão das 18 comunidades religiosas que existem no país

Internacional|Do R7

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Dois jovens casais dizem o "sim" e fazem juras de fidelidade eterna. Nada fora do normal. No entanto, o enlace acontece na rua, diante de dezenas de manifestantes, na frente do Parlamento do Líbano, onde a luta pelo casamento civil é muito mais que uma questão de amor.

Apesar de não estarem registrados em nenhum documento oficial, os casais já se consideram casados, o que a legislação libanesa não reconhece pela forte pressão das 18 comunidades religiosas que existem no país.

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"Em nome do Estado do qual somos cidadãos, em nome da liberdade e do amor, nos consideramos casados de forma civil e pedimos uma lei para poder registrar nosso enlace, já que rejeitamos o casamento religioso", disseram os noivos em seu curioso juramento conjugal.

Esse simulacro de casamento foi organizado pela Associação Chamel de jovens contra o sectarismo e a violência, que em 2011 apresentou ao Parlamento um projeto de lei elaborado por Ogarit Yunun e Walid Slaibe, fundadores da campanha nacional para o estatuto pessoal dos libaneses.

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Uma das ativistas leu um comunicado na cerimônia que lembrava que seu país possui uma proposta que "está nas gavetas do Parlamento sectário, que até agora se recusa a examiná-lo". Em declaração à Efe, Yunun, um dos autores do projeto, relatou que sua minuta esteve na ordem do dia da comissão parlamentar para o assunto, o que implicava sua revisão.

"No entanto, quando foi preciso examiná-lo, em duas ocasiões adiaram e passou do 9º lugar na fila ao 36º. É vital que haja uma lei civil libanesa que reja a vida de todos e quando se trate do casamento civil não seja preciso ir ao exterior", apontou, já que o Líbano reconhece os enlaces civis fora do país. Atualmente, também há outro projeto que poderia ser validado.

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Trata-se do elaborado pelo ex-presidente Elías Haraui, que não foi referendado em seu dia pelo então primeiro-ministro Rafik Hariri, pressionado pelas críticas e ameaças dos clérigos de várias confissões.

"O reconhecimento do casamento civil é a primeira etapa rumo ao Estado laico, mas o caminho ainda é longo", admitiu à Efe Nayla, uma ativista pelos direitos civis.

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Para Karim, um jovem da cidade de Trípoli, é imprescindível "pôr fim à loucura sectária no Líbano", fragmentado pelas diferentes comunidades que administram, cada uma a sua maneira, assuntos civis como o casamento.

O conflito em torno do casamento civil voltou a ficar em evidência na semana passada quando um casal formado por um muçulmano sunita e uma mulher xiita anunciaram que haviam se casado perante um notário, em novembro passado, com base em uma lei de 1936, época da gestão francesa sobre o país.

No entanto, o matrimônio não foi reconhecido pela lei, pois tudo relacionado ao estatuto pessoal dos libaneses é regido pelas 18 comunidades religiosas. O próprio presidente do país, Michel Suleiman, se manifestou recentemente a favor de reconhecer o casamento civil como forma de unificar o país.

Em sua página do Facebook, o líder escreveu há uma semana que " deve-se trabalhar para instaurar o casamento civil, um passo importante para erradicar o confessionalismo e consolidar a união nacional". Apesar disso, advertiu que a decisão não corresponde apenas a ele, mas é "um trabalho de equipe de 128 deputados, 30 ministros, membros da sociedade civil e outras partes envolvidas".

Suleiman postou em sua página uma foto de um pai levando nos ombros sua filha, que segura um cartaz com os dizeres "Sim ao casamento civil, não à guerra civil", em referência a uma década e meia do conflito armado que cobriu de sangue o país entre 1975 e 1990.

O atual primeiro-ministro do país, Najib Mikati — apoiado pela maioria parlamentar liderada pelo grupo xiita Hezbollah —, já rejeitou de forma categórica incluir o assunto na ordem do dia de seu governo. Na última sessão do Executivo, Mikati sentenciou que, enquanto ele ocupar o cargo, um projeto como esse nunca será aprovado. 

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