Cérebro ambulante? Estudo revela sistema nervoso nos ouriços-do-mar
Pesquisa internacional mostra que o sistema nervoso desses animais é muito mais sofisticado do que se imaginava
Internacional|Do R7
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Novas evidências científicas estão redefinindo o modo como entendemos os ouriços-do-mar. Longe de serem apenas esferas espinhosas escondidas nas poças de maré, esses animais exibem um sistema nervoso tão complexo que pesquisadores agora os descrevem como verdadeiros “corpos inteiros de cérebro”.
O achado veio à tona após uma análise genética detalhada conduzida por especialistas em biologia do desenvolvimento.
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A pesquisa, liderada por Periklis Paganos, da Stazione Zoologica Anton Dohrn, na Itália, investigou o processo de metamorfose dos ouriços-do-mar roxos (Paracentrotus lividus). Esses animais passam por uma transformação radical ao deixar o estágio larval, quando apresentam simetria bilateral, semelhante à de muitos outros seres vivos, e adquirir a forma adulta, marcada pela simetria radial típica de equinodermos como estrelas-do-mar e águas-vivas.
Durante essa transição, os cientistas observaram que os ouriços desenvolvem uma diversidade extraordinária de células neuronais. Em vez de concentrar um cérebro em uma região específica, eles formam uma rede distribuída por todo o corpo, o que equivale, na prática, a um organismo inteiramente organizado como um grande centro nervoso.
Para entender essa arquitetura singular, a equipe criou um atlas celular dos indivíduos recém-metamorfoseados. Por meio de mapeamento genético, foi possível identificar quais genes estavam ativos em cada tipo de célula. O resultado foi surpreendente: mais da metade dos agrupamentos celulares identificados correspondia a neurônios.
Segundo o biólogo evolutivo Jack Ullrich-Lüter, do Museu de História Natural de Berlim, o estudo demonstra que animais sem um cérebro centralizado ainda podem desenvolver uma organização comparável à de estruturas cerebrais.
Publicada na revista Science Advances, a pesquisa reforça a ideia de que os ouriços-do-mar são, em essência, organismos que funcionam como um grande “cérebro ambulante”.
Outro estudo, feito por pesquisadores japoneses, identificou, em larvas de ouriço-do-mar, uma região nervosa fotossensível que funciona como um “centro cerebral” não visual, desafiando a ideia de que equinodermos não possuem estruturas organizadas de processamento de informação.
O trabalho, publicado na revista Nature Communications, mostra que esse conjunto de neurônios responde à luz, controla o comportamento de nado dos animais e compartilha uma arquitetura genética com áreas profundas do encéfalo de vertebrados.
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