Chuvas torrenciais no Japão deixam mais de 30 mortos

A província de Kumamoto, na ilha de Kyushu, no sudoeste do Japão, sofreu a maior parte das perdas e dos danos. Chuvas devem continuar até terça (7)

Equipe de resgate utiliza barco em meio a inundação

Equipe de resgate utiliza barco em meio a inundação

JIJI PRESS JAPAN /EFE/EPA - 05.07.2020

A estação chuvosa está atingindo duramente o Japão nas últimas horas. Uma contagem provisória indica, pelo menos, 34 mortos e 14 pessoas desaparecidas. Muitos tiveram de ser isolados. Os rios no país estão transbordando e o governo faz apelos para a população evitar áreas perigosas devido aos riscos de novos deslizamentos de terra.

A província de Kumamoto, na ilha de Kyushu, no sudoeste do Japão, sofreu a maior parte das baixas e dos danos causados pelas tempestades que começaram no início da manhã de sábado (4), com níveis que chegaram a atingir 100 milímetros por hora.

Nunca, desde que os registros começaram, foi reportado um nível tão alto de chuvas nessa província, de acordo com a emissora pública de televisão "NHK".

Neste sábado, um asilo foi inundado depois que o rio Kuma transbordou. Ainda hoje tem ocorrido resgate no local e 50 pessoas foram retiradas pelas equipes de emergência e Militares das Forças de Autodefesa que foram envolvidos nas operações. Muitos destes resgatados estavam bastante debilitados. 

Como previsto pela Agência Meteorológica do Japão, as chuvas continuaram neste domingo, com mais 20 mortes em Kumamoto, além de 14 pessoas cujo paradeiro é desconhecido e que poder aumentar ainda mais o número de vítimas.

A lista de óbitos confirmados entregues pelas autoridades, indica que a maioria foi de idosos, incluindo uma mulher de 93 anos e um homem de 85.

Um registro provisório aponta que 14 pessoas no asilo tiveram parada cardiorrespiratória. Essa classificação é utilizada pelas autoridades japonesas até que haja um registro oficial. Mas, enquanto isso, as mortes se somam provisioriamente  provisoriamente se soma ao número de óbitos registrados durante todo o fim de semana.

As reportagens da imprensa local indicam que dois rios de Kumamoto transbordaram suas margens e inundaram 11 vilarejos em volta. A água isolou cerca de 30 distritos do município, incluindo Yatsushiro e Hitoyoshi.

Primeiro-ministro pediu aumento de precaução

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, que realizou uma reunião de emergência com várias agências para avaliar os danos e organizar medidas de socorro, pediu para que o povo da região tenha extrema cautela.

Abe disse para as pessoas dos locais mais atingidos evitarem espaços onde há risco de deslizamentos de terra e enchentes, e para redobrar esforços para ajudar as áreas mais prejudicadas.

"É urgente dar apoio especial às vítimas deste desastre natural", declarou o premiê.

Autoridades pedem saída de 203 mil residentes

Imagens de televisão mostram numerosas aldeias inundadas, árvores caídas na estrada e rios que transbordam, o que foi visto através das pontes. Além disso, vídeos mostram pessoas que mal conseguem se mover pelas ruas.

As autoridades solicitaram a retirada de 203 mil residentes de Kumamoto e da vizinha Kagoshima. Cerca de 100 centros de recepção foram criados para receber os deslocados.

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Relatórios da agência de notícias local "Kyodo" dizem que pelo menos 4.650 casas em Kumamoto ficaram sem energia neste domingo. De acordo com a Agência Meteorológica, as chuvas continuarão castigando o oeste do país até a próxima terça-feira (7).

Nesta época do ano, é lembrada uma tragédia muito maior no oeste do Japão, ocorrida em julho de 2018. Na ocasião, as chuvas torrenciais que caíram naquela época, as piores desde 1982, causaram mais de 200 mortes.