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CIA contou com ajuda de 54 países para manter prisões secretas

Internacional|Do R7

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Ao todo 54 países colaboraram com a CIA no programa de detenção secreta e tortura de suspeitos de terrorismo após os atentados de 11 de setembro. É o que mostra relatório de uma organização humanitária divulgado nesta terça-feira que inclui nações como Bélgica, Argélia, Dinamarca e Canadá.

Segundo a organização Open Society Justice Initiative, os 54 governos estrangeiros participaram de diversas maneiras do programa da agência de investigação americana, acolhendo prisões secretas em seus territórios, ajudando na captura e no transporte dos detidos, interrogando e torturando segundo o plano de interrogatórios reforçados, fornecendo informações ou ainda abrindo o espaço aéreo para permitir a transferência ilegal de pessoas de um país a outro.

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"Ao participar dessas operações, esses governos violaram o direito interno e internacional e violaram as regras contra tortura", que é "não somente ilegal e imoral, mas também ineficaz para reunir informações confiáveis", denuncia o relatório intitulado "A globalização da tortura".

Os 54 países citados no relatório estão em todos os continentes. Do Afeganistão, passando pelo Iêmen e pelo Zimbábue, aos 25 países da Europa, como Áustria, Bósnia-Herzegovina, Croácia, Finlândia, Alemanha, Irlanda, Reino Unido, Espanha e Itália. A Austrália é mencionada, assim como o Irã, que entregou dez pessoas aos Estados Unidos apesar da difícil relação com Washington.

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As prisões secretas da CIA, por onde passaram os cinco acusados do 11 de Setembro, atualmente detidos em Guantánamo, estavam em Tailândia, Romênia, Polônia e Lituânia.

Os duros métodos de interrogatório que eram utilizados, foram autorizados durante a administração do ex-presidente George W. Bush, que tiveram suas dissimulações sobre práticas como afogamentos e tortura amplamente denunciadas por Barack Obama.

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O relatório indentifica 136 pessoas que foram detidas ou transferidas pela CIA. Algumas eram ligadas à Al-Qaeda, mas inúmeras foram presas equivocadamente no auge da luta contra o terrorismo liderada pelo governo Bush após os atentados de 11 de setembro.

A Itália é o único país onde um tribunal condenou os responsáveis por envolvimento nestas operações. O Canadá é o único país a ter pedido desculpas a uma vítima do programa e a ter pago, assim como Austrália, Suécia e Reino Unido, indenizações aos atingidos.

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O relatório denuncia que os Estados Unidos investigaram apenas "de maneira limitada" os maus tratos cometidos aos detentos e não iniciaram ações penais. A organização acrescenta que a administração Obama parece não ter renunciado à detenção secreta no curto prazo e se recusa a publicar documentos relativos ao programa da CIA.

A comissão do Senado que lida com o assunto entregou recentemente um relatório de pesquisa sobre o programa, que permanece confidencial. A presidente da comissão, Dianne Feinstein, chamou de "erros terríveis" a criação e a utilização a longo prazo de prisões secretas ou "lugares negros" e o emprego de questionáveis técnicas de interrogatório.

O novo diretor da CIA, John Brennan, deve ser ouvido no Senado nesta quinta-feira para confirmar sua nomeação.

A CIA não quis se pronunciar sobre o assunto.

"A tortura associada às operações de detenção secretas e de transferência ilegal de indivíduos continuarão a manchar a imagem dos Estados Unidos e de seus parceiros enquanto não disserem a verdade e não condenarem os culpados", afirma o relatório. "A impunidade dos responsáveis hoje dá margem para que outros abusos sejam cometidos nas operações anti-terrorismo".

chv/rap/dm

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