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Cinema brasileiro leva armas, cocaína e poesia a Londres

Internacional|Do R7

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Por Stephen Eisenhammer

LONDRES, 24 Set (Reuters) - Com filmes que mostram desde o despertar sexual de uma poeta norte-americana até uma história de amor interrompida por traição, cocaína e um fuzil Winchester, começa na quinta-feira em Londres o 5º Festival do Cinema Brasileiro.

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O Brasil está desfrutando de um momento de renascimento cinematográfico impulsionado pelo sucesso de diretores como Fernando Meirelles, de "Cidade de Deus", e Walter Salles, cujo recente "Na Estrada" teve no elenco Kristen Stewart e Sam Riley.

"Para nosso primeiro festival, em Miami (em 1997), nós só podíamos escolher entre 12 filmes. Hoje, produzimos cerca de 400 filmes por ano e, como setor, estamos crescendo a cada ano", disse à Reuters uma das organizadoras do festival, Adriana Dutra.

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"Agora nós temos um monte de profissionais trabalhando no exterior... todos influenciando positivamente o setor no país", acrescentou.

Até recentemente nomes internacionais eram uma exceção em uma indústria que enfrentava dificuldades para conseguir financiamento e repercussão. Agora, diretores como Meirelles e Salles abrem a porta para jovens cineastas e atores que estão surgindo.

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Londres, cidade que abriga um número estimado de 200 mil brasileiros, é um lugar perfeito para exibir o renascente cinema brasileiro, segundo os organizadores do festival.

"Londres é uma grande cidade cultural e uma importante parceira do cinema brasileiro em termos de coproduções, por isso, esperamos que nossa presença possa melhorar esses laços", disse Adriana.

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Muitos dos filmes exportados pelo Brasil foram rodados no Rio de Janeiro, com suas favelas e paisagens naturais, mas a produção que encerra o festival deste ano, "Faroeste Caboclo" ("Brazilian Western" na versão em inglês), acontece em Brasília.

Baseado em uma música dos anos 1980 da banda Legião Urbana, o filme foi um dos maiores sucessos de bilheteria dos últimos anos no Brasil, atraindo 1,5 milhão de espectadores.

"Eu quis mostrar a Brasília verdadeira, longe do governo, de modo que as pessoas pudessem ver como realmente é", disse à Reuters o diretor René Sampaio, nascido e criado na capital federal.

O filme conta a história de um homem negro pobre, João do Santo Cristo, que deixa a casa da família no sertão depois das mortes da mãe e do pai para tentar uma vida melhor em Brasília. Ele é levado ao submundo da cidade, vendendo drogas para filhos da elite política.

João se apaixona pela filha de um senador, e ela quer que ele abandone o tráfico de drogas. Ele tenta, mas é muito tarde e acaba envolvendo-se em um conflito trágico.

"O filme é sobre alguém se esforçando para impor sua personalidade, mas sendo recusado por ser pobre", disse Sampaio.

Outro filme de destaque é "Flores Raras" ("Reaching for the Moon", na versão em inglês), que trata da viagem da poeta norte-americana Elizabeth Bishop ao Brasil e seu caso de amor com a arquiteta Lota de Macedo Soares.

Dirigido por Bruno Barreto, o filme enfoca como o exotismo do Brasil e o relacionamento de Elizabeth com Lota iniciou um dos períodos mais produtivos da autora.

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