Como bilionários do Vale do Silício tentam criar bebês geneticamente superiores
Discussão da edição e seleção genética de embriões levanta questões sobre autonomia individual, desigualdade e o futuro da humanidade
Internacional|Do R7
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Os primeiros “bebês projetados perfeitos”, nascidos após escolhas de embriões e análises genéticas, já estão engatinhando pelo mundo. Especialistas em genética, porém, questionam a eficácia da seleção de embriões para características como inteligência, saúde mental e altura, enquanto o serviço é oferecido a preços elevados. Muitos dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento vêm de entusiastas do Vale do Silício, nos Estados Unidos, interessados em criar uma super-raça humana.
Arthur Caplan, chefe de ética médica na Escola de Medicina Grossman da Universidade de Nova York, comentou ao jornal britânico Daily Mail sobre a motivação por trás desses investimentos. “Eles estão focados no que acontece no Vale do Silício com sua reprodução, pensando em como a modificação genética pode ser necessária para sobreviver a viagens a Marte ou competir com a inteligência artificial”, disse.
A ideia de uma classe de humanos geneticamente aprimorados, como retratado em filmes de ficção científica, parece estar se tornando realidade, com a edição genética de embriões já sendo explorada, apesar das controvérsias éticas e legais.
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O que está acontecendo
Em 2018, o cientista chinês He Jiankui anunciou a criação dos primeiros bebês geneticamente editados, uma ação que o levou à prisão por violar regulamentos médicos. Após sua liberação, He expressou preocupação com o uso da ciência para fins não médicos, comparando-a a experimentos eugênicos nazistas.
Nos Estados Unidos, a edição de genes em embriões para fins reprodutivos é proibida, mas isso não impediu o surgimento de empresas investigando a tecnologia para possíveis aplicações médicas, apesar do ceticismo da comunidade acadêmica.
A startup Preventive, apoiada por figuras do Vale do Silício, arrecadou milhões de dólares para sua pesquisa em edição genética reprodutiva, visando a erradicação de doenças hereditárias. No entanto, críticos argumentam que o verdadeiro objetivo é o “aprimoramento de bebês”, algo considerado perigoso e imoral.
Enquanto isso, empresas como a Herasight oferecem triagem genética para futuros pais, prometendo insights sobre traços e riscos de saúde dos embriões, apesar das dúvidas sobre a precisão dessas previsões.
A discussão em torno da edição e seleção genética de embriões levanta questões éticas profundas sobre autonomia individual, desigualdade e o futuro da humanidade, com muitos preocupados com as implicações de longo prazo dessa tecnologia emergente.
Pais de um ‘bebê projetado’
Em março do ano passado, Arthur Zey e Chase Popp, pais de primeira viagem, tiveram a oportunidade de escolher entre seis embriões gerados a partir do esperma de Zey e óvulos de uma doadora, para ser implantado em uma gestante substituta. Análises genéticas forneceram previsões sobre altura, QI e diversos indicadores de saúde dos embriões. A escolha feita por eles gerou o bebê Dax.
“Vendo o Dax, ele parece estar bem, saudável. Quando as pessoas comentam que ele é um bebê projetado, vejo isso como um elogio. Sim, ele é um bebê projetado, e estamos orgulhosos disso, e ele também deveria estar”, disse Popp ao jornal Daily Mail.
O casal está completamente apaixonado por seu filho de um mês, acreditando ser o “bebê mais perfeito que existe”.
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