Logo R7.com
RecordPlus

Como campanha anticorrupção criou um grave problema de liderança no Exército da China

Ministério da Defesa do país anunciou investigações contra general de alta patente

Internacional|Do R7

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O exército da China enfrenta crises de liderança devido à campanha anticorrupção de Xi Jinping.
  • Generais importantes estão sob investigação, levantando dúvidas sobre a eficácia da liderança militar.
  • A escassez de oficiais experientes pode dificultar operações militares complexas, como uma possível invasão a Taiwan.
  • A campanha anticorrupção pode criar um exército mais leal a Xi, apesar dos custos a curto prazo em termos de experiência e coordenação.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Caminhões do Exército chinês
Governo chinês vem conduzindo investigações contra militares do país Reprodução/YouTube/Fala Brasil

O projeto de expansão das Forças Armadas da China, que busca rivalizar com o poderio militar dos Estados Unidos, ocorre paralelamente à saída de altos líderes em meio à campanha anticorrupção conduzida pelo presidente Xi Jinping.

As demissões levantam dúvidas sobre quem está à frente da força, uma das mais poderosas do mundo, e sobre como essas mudanças a afetam em aspectos como a organização.


LEIA MAIS

No dia 24 de janeiro, o Ministério da Defesa da China anunciou investigações contra o general Zhang Youxia, vice-presidente da Comissão Militar Central e considerado um dos principais conselheiros de Xi, e Liu Zhenli, chefe do Estado-Maior do departamento de Estado-Maior Conjunto da comissão.

O fato de terem sido colocados sob investigação indica que os generais ainda podem ser presos. O Diário do Exército de Libertação Popular, por sua vez, atribuiu culpa aos dois. “Eles traíram gravemente a confiança e as expectativas do Partido Comunista” e “desrespeitaram e minaram a comissão militar central”.


A saída, por suspeitas de violação da disciplina e da lei, é a mais recente baixa na alta cúpula das Forças Armadas chinesas. Analistas consultados pelo Business Insider apontam, no entanto, que as acusações sugerem algo mais do que apenas corrupção financeira, como já ocorreu com outros.

A linguagem utilizada, destaca a publicação, indica que Zhang e Liu desafiaram a autoridade de Xi, seja por meio de divergências sobre metas de modernização, falhas em atender às expectativas ou disputas de poder e influência dentro do governo. Os motivos podem nunca ser esclarecidos, já que a opacidade da “caixa-preta” chinesa obscurece cada vez mais a realidade dentro do governo.


O Wall Street Journal já havia levantado a possibilidade de que Zhang teria vazado dados sobre armas nucleares para os EUA.

Dos sete funcionários nomeados para a Comissão Militar Central em 2022, apenas dois, incluindo o próprio Xi e Zhang Shengmin, o responsável pela área anticorrupção da comissão, seguem no poder. Os demais estão sob investigação ou foram expulsos.


O número exato de altos líderes militares afetados é desconhecido, mas há indícios de que o expurgo impactou profundamente o corpo de oficiais superiores.

Também não está claro se os cargos agora vagos serão preenchidos em breve ou se Xi esperará até 2027, ano que marca a eleição de um novo Comitê Central do Partido Comunista e que também é responsável por nomear os novos membros da Comissão Militar.

“Este é o ápice da campanha anticorrupção nas Forças Armadas”, disse Jonathan Czin, especialista do Instituto Brookings, que anteriormente atuou como analista sênior da China para a Agência Central de Inteligência (CIA) e diretor para a China no Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, ao Business Insider.

“Isso envia um sinal muito claro para todo o sistema de que ninguém está seguro, independentemente do tipo de relacionamento que você teve ou tem com Xi Jinping”, acrescenta.

Novas investigações podem seguir as de Zhang e Liu. Para os analistas, funcionários com ligações aos dois homens também podem ser suspeitos. O cenário traz outras dúvidas, em meio à ausência de figuras importantes em reuniões nos últimos meses, o que sugere mais mudanças.

Isso deixa Xi com um próximo passo difícil: decidir quem pode preencher as vagas de forma confiável.

Como muitos oficiais superiores foram afastados ou estão sob investigação, “o número de candidatos para preencher os cargos de chefia diminuiu”, disse Brian Hart, vice-diretor e pesquisador do Projeto de Poder da China do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, ao Business Insider.

“Xi poderia continuar usando a estrutura de comando existente da CMC e preenchê-la com novas pessoas leais a ele”, acrescentou. “Também é possível que Xi tente recomeçar do zero, reformulando de maneira mais fundamental a estrutura de liderança do PLA.”

Operações contra Taiwan

A diminuição do número de comandantes experientes poderia prejudicar a coordenação de todas as forças armadas da China, o que atrapalharia as operações complexas como um bloqueio ou uma invasão de Taiwan.

Observadores do Exército Popular de Libertação apontam que Xi estaria disposto a aceitar as condições se o resultado for uma força mais leal politicamente e disciplinada ao longo do tempo.

O editorial do Diário do Exército Popular de Libertação, por sua vez, apresentou a campanha como um saldo positivo, argumentando que “quanto mais o Exército Popular de Libertação combate a corrupção, mais forte, mais puro e mais capaz em combate ele se torna”.

Após as demissões, a China vem organizando grandes exercícios em torno de Taiwan, o que teriam o intuito de demonstrar prontidão, apesar da turbulência na liderança.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.