Como demissão de generais chineses poderia aproximar o mundo da 3ª Guerra Mundial
Xi Jinping teria se tornado ‘o governante absoluto’ da China, abrindo as portas para um potencial conflito envolvendo superpotências
Internacional|Do R7
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Ninguém poderá impedir a China de invadir Taiwan agora que o presidente do país, Xi Jinping, é o único comandante das forças armadas, considerada uma das mais poderosas do mundo. O alerta é de especialistas consultados pelo jornal The Sun e surge no contexto da demissão de Zhang Youxia, general de alta patente do Exército.
A saída, por suspeitas de violação da disciplina e da lei, é a mais recente baixa na alta cúpula das Forças Armadas chinesas. De acordo com o The Sun, analistas temem agora a concentração de poder nas mãos de Xi, o único que estava acima de Zhang.
Segundo Steve Tsang, diretor do Instituto de Estudos Chineses da SOAS, com a demissão, Xi se tornou “o governante absoluto”, abrindo as portas para um potencial conflito envolvendo múltiplas superpotências.
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“Se houvesse algum general na China capaz de dizer a Xi o que ele não queria ouvir, esse era o General Zhang”, afirmou. “Isso significa que ele era o único que poderia ter dito a Xi se a dissuasão americana em relação a Taiwan deveria ser levada a sério.”
Tsang acrescenta que o risco de um conflito militar aumenta, já que “ninguém com formação militar profissional se atreverá a avisá-lo [Xi]” sobre as consequências.
Um ataque da China a Taiwan é cada vez mais visto pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) como um estopim que levaria a um conflito global, frequentemente descrito como uma Terceira Guerra Mundial.
Os Estados Unidos já indicaram que defenderiam Taiwan em um eventual ataque. Já o Japão alertou que uma ofensiva contra a ilha seria vista como uma “ameaça existencial” à sua própria segurança.
A escalada também poderia trazer grandes consequências para a Europa. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, alerta que a guerra seria travada em duas frentes e teria a Rússia atacando o território da Otan para manter o Ocidente ocupado.
Para Tsang, a China deve atacar Taiwan por volta de 2037 – uma década depois da previsão dos EUA. “A China consegue construir navios e aviões muito rapidamente. Mas treinar soldados, marinheiros e pilotos para operar de forma coordenada e eficaz para invadir Taiwan é um processo extremamente complexo”, explicou ele.
Demissão de militares chineses
A demissão de Zhang representa a saída de um membro que estava abaixo apenas de Xi Jinping, sendo o mais antigo dos dois vice-presidentes da Comissão Militar Central, o órgão máximo das Forças Armadas da China.
Outros nomes são investigados, como o do general Liu Zhenli, membro da Comissão que era responsável pelo Departamento do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. Não há detalhes sobre as supostas irregularidades.
Em outubro, o Partido Comunista já havia expulsado o outro vice-presidente da Comissão, He Weidong. Ele foi substituído por Zhang Shengmin, que agora é o único membro do grupo.
A agência de notícias Associated Press aponta que, desde 2012, ao menos 17 generais do Exército de Libertação Popular foram afastados, sendo oito ligados à alta cúpula.
As demissões têm impacto no órgão presidido por Xi, deixando apenas um de seus seis membros intacto. Ao mesmo tempo, elas trazem questionamentos sobre a capacidade bélica do país para eventualmente tomar Taiwan à força ou se envolver em outro grande conflito.
Nos últimos meses, o governo chinês vem aumentando a pressão militar sobre a ilha autogovernada e que Pequim reivindica. Em um dos casos, registrado em dezembro, o governo chinês realizou exercícios militares de alta escala ao redor do território após o anúncio de que armas seriam compradas dos EUA.
Não está claro se os cargos agora vagos serão preenchidos em breve ou se Xi esperará até 2027, ano que marca a eleição de um novo Comitê Central do Partido Comunista e que também é responsável por nomear os novos membros da Comissão Militar.
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