Como funcionava programa de quase R$ 30 mi que dava bebida a moradores de rua nos EUA
Iniciativa foi implementada na Califórnia, durante a pandemia da Covid-19, e buscava reduzir riscos ligados à abstinência
Internacional|Do R7
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O governo de São Francisco, na Califórnia, vai encerrar neste ano um programa público que distribuía bebidas alcoólicas a pessoas em situação de rua com dependência química. Criada durante a pandemia de Covid-19, a iniciativa custava cerca de US$ 5 milhões por ano (quase R$ 30 milhões) aos cofres públicos.
Batizado de MAP (Managed Alcohol Program, ou Programa de Álcool Controlado, em português), o projeto foi implementado em abril de 2020, quando autoridades passaram a abrigar moradores de rua em hotéis durante o lockdown. Na época, bares e lojas estavam fechados, e profissionais de saúde passaram a entregar doses controladas de cerveja e destilados aos beneficiários para minimizar os efeitos da abstinência.
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A medida pretendia reduzir riscos médicos graves associados à interrupção abrupta do consumo de álcool. No entanto, o programa seguiu em funcionamento por seis anos, mesmo após o fim da pandemia, e agora foi cancelado pela gestão do prefeito Daniel Lurie.
“Por anos, San Francisco gastou US$ 5 milhões anuais para fornecer álcool a pessoas que lutam contra o vício e a falta de moradia. Isso não faz sentido, e estamos encerrando isso”, afirmou Lurie em entrevista ao The California Post. Segundo ele, todos os contratos ligados ao projeto já foram encerrados.
A ONG Community Forward, responsável por executar o programa desde 2023, confirmou que a cidade suspendeu os repasses. Documentos financeiros mostram que a entidade recebeu US$ 17,8 milhões em contratos e subsídios governamentais em 2025, sendo US$ 10,8 milhões destinados a salários. Em 2024, veio à tona que a então CEO Kara Zordel ganhava US$ 225,7 mil por ano.
Apesar das críticas, autoridades de saúde chegaram a citar resultados positivos. Em uma apresentação de 2024, um caso foi apontado como exemplo: um beneficiário reduziu de 36 para menos de 10 visitas anuais a emergências hospitalares. Ainda assim, o MAP foi considerado controverso por oferecer a própria substância da dependência aos usuários.
Programas semelhantes existem no Canadá, mas o de San Francisco foi o primeiro do tipo nos Estados Unidos. Diferentemente de outras políticas de redução de danos, como distribuição de seringas para evitar doenças, o MAP fornecia diretamente álcool a dependentes químicos.
Desde que assumiu a prefeitura, Lurie tem defendido uma mudança de abordagem, priorizando recuperação e abstinência. Ele também encerrou a distribuição de insumos para consumo de drogas, como cachimbos de crack, e endureceu o combate ao uso de entorpecentes em áreas públicas. “Estamos quebrando o ciclo de vício, falta de moradia e falhas do governo que prejudicaram a cidade por muito tempo”, disse.
Especialistas apontam, porém, que o cenário é desafiador. A cidade tem apenas 68 leitos de desintoxicação para cerca de 19 mil pessoas que entram e saem da situação de rua todos os anos. Em média, 8 mil dormem nas ruas todas as noites, e quem busca tratamento enfrenta longas filas por atendimento.








