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Como o amor pelo luxo levou à queda da ex-primeira-dama da Coreia do Sul

Kim Keon Hee foi condenada a um ano e oito meses de prisão por corrupção

Internacional|Jessie Yeung, Gawon Bae, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A ex-primeira-dama da Coreia do Sul, Kim Keon Hee, foi condenada a um ano e oito meses de prisão por corrupção, relacionada a subornos de itens de luxo.
  • Kim, esposa do ex-presidente Yoon Suk Yeol, aceitou subornos, incluindo bolsas de grife como Chanel e um colar de diamantes, mas foi absolvida de outras acusações por falta de provas.
  • O escândalo gerou críticas à liderança de Yoon, que enfrenta seus próprios problemas judiciais, incluindo impeachment e condenações por corrupção.
  • Esta é a primeira vez na história sul-coreana que um ex-casal presidencial é preso ao mesmo tempo, evidenciando um período tumultuado na política do país.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Kim Keon Hee é esposa do ex-presidente Yoon Suk Yeol que também está preso Jung Yeon-Je/Pool/Getty Images via CNN Internacional - 12.08.2025

Tudo começou com uma bolsa de grife. Depois outra, depois um colar de luxo, e mais.

Agora, isso terminou em prisão para a ex-primeira-dama da Coreia do Sul.


Kim Keon Hee, esposa do destituído (e também preso) ex-presidente Yoon Suk Yeol, foi condenada nesta quarta-feira (28) a um ano e oito meses de prisão por corrupção — em apenas um dos três processos criminais que enfrenta. Tanto os promotores quanto a defesa de Kim podem recorrer da decisão.

O tribunal considerou Kim culpada por aceitar subornos da controversa seita religiosa Igreja da Unificação, incluindo uma bolsa da Chanel e um colar de diamantes da marca Graff.


No entanto, ela foi absolvida das acusações de manipulação de ações e de conspiração com o marido para receber gratuitamente pesquisas de opinião pública, por falta de provas suficientes e por prescrição dos crimes — além de ter sido inocentada da acusação de receber uma segunda bolsa da Chanel.

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Os promotores estimaram que, somadas, as ações, os subornos e as pesquisas tinham valor de 1,15 bilhão de won sul-coreanos (aproximadamente R$ 4,2 milhões).


Kim “fez uso indevido de seu status como meio para obter lucro… A ré foi incapaz de recusar itens de luxo caros fornecidos em troca de favores especiais e demonstrava sede por recebê-los e usá-los para se adornar”, afirmou o juiz Woo In-seong, do Tribunal Distrital de Seul, na sentença.

No entanto, Woo acrescentou que Kim não pediu os presentes, não repassou solicitações da igreja ao marido e agora está “refletindo sobre seus atos”.


Casal em julgamento

Este é o golpe mais recente contra o ex-casal presidencial, que repetidamente negou irregularidades, embora Kim tenha admitido ter recebido as bolsas da Chanel da Igreja da Unificação.

Yoon está sendo julgado por insurreição devido à sua breve declaração de lei marcial em 2024, além de uma série de outras acusações.

Mas sua esposa se envolveu em escândalos muito antes — com as acusações de manipulação de ações ligadas a uma concessionária de automóveis remontando a mais de uma década.

Ela foi presa em agosto do ano passado por um promotor especial, e os acusadores pediram uma pena de 15 anos de prisão pelos diversos crimes analisados pelo tribunal nesta quarta-feira.

“Kim Keon Hee usou seu status de esposa do presidente para receber facilmente dinheiro e bens caros, além de intervir amplamente em várias nomeações e indicações de cargos”, afirmou Min Joong-ki, que chefiou a equipe do promotor especial, em 29 de dezembro, após concluir uma investigação de 180 dias.

O líder da Igreja da Unificação — também conhecida como os “Moonies”, fundada na Coreia do Sul e que se espalhou pelo mundo — também responde a processo pelas acusações de suborno.

Longa lista de escândalos

Desde o início, Kim não era uma primeira-dama típica.

Ela havia trabalhado no setor de artes, tendo fundado sua própria agência de exposições, quando se casou com Yoon em 2012. Na época, ele ainda era promotor e não havia ingressado na política.

Kim manteve alta visibilidade como primeira-dama, frequentemente usando roupas elegantes em viagens presidenciais ao exterior, o que lhe rendeu tanto elogios quanto críticas no país.

Isso a diferenciava de outras primeiras-damas sul-coreanas, tradicionalmente vistas como figuras discretas, atuando nos bastidores.

Mas suspeitas sobre sua conduta já haviam surgido durante a campanha de Yoon à Presidência.

Em 2021, Kim pediu desculpas por inflar seu currículo e prometeu “manter o foco em meu papel como esposa” caso o marido vencesse a eleição no ano seguinte.

Ela também enfrentou acusações persistentes de plágio acadêmico, o que levou a Universidade Feminina Sookmyung a revogar seu mestrado no verão passado.

A Universidade Kookmin, onde ela obteve o doutorado, retirou seu título após a decisão da Sookmyung, apesar de tê-la absolvido de má conduta em uma investigação anterior.

Durante anos, circularam alegações de que Kim manipulou ações entre 2010 e 2012 relacionadas à concessionária coreana da BMW, a Deutsch Motors, obtendo lucros indevidos.

A imagem do casal piorou quando Yoon, já como presidente, vetou um projeto de lei que previa uma investigação especial sobre sua esposa.

Presente foi a gota d’água

Mas a gota d’água foi uma bolsa Christian Dior de US$ 2.200 (sem relação com as bolsas da Chanel pelas quais ela foi condenada nesta quarta-feira).

No fim de 2023, um canal do YouTube de esquerda divulgou um vídeo gravado secretamente em que um pastor coreano-americano presenteia Kim com uma bolsa de couro de bezerro.

A conversa, ocorrida em 2022 após a eleição de Yoon, foi registrada por uma câmera escondida no relógio de pulso do pastor.

Durante o encontro, Kim é ouvida dizendo: “Por que você continua trazendo essas coisas? Por favor, não precisa fazer isso”. As imagens não mostram Kim pegando a bolsa — mas ela também não aparenta recusá-la, e uma sacola da Dior aparece sobre a mesa de centro enquanto eles conversam.

A lei anticorrupção da Coreia do Sul proíbe autoridades públicas e seus cônjuges de receber presentes avaliados em mais de US$ 750 em conexão com suas funções públicas.

O escândalo explodiu, e o apoio a Yoon caiu a níveis inéditos. Kim praticamente desapareceu da vida pública, até que o presidente declarou lei marcial numa noite de terça-feira no fim de dezembro de 2023, lançando o país — e o casal — em uma crise muito maior.

Queda presidencial

Os parlamentares rapidamente derrubaram o decreto de lei marcial do presidente depois de enfrentarem soldados armados para entrar no Parlamento.

Yoon sofreu impeachment e foi removido do cargo, e investigações especiais logo começaram contra ele, sua esposa e seus auxiliares — incluindo o primeiro-ministro, que foi condenado na semana passada a 23 anos de prisão.

No início deste mês, Yoon foi condenado a cinco anos de prisão por desafiar tentativas de detenção e por negar aos ministros do gabinete a oportunidade de debater seu decreto de lei marcial.

Outras condenações, possivelmente mais longas, ainda podem ocorrer; ele enfrenta oito processos criminais adicionais, incluindo acusações de rebelião.

Ao longo de suas aparições em tribunal e audiências, Yoon resistiu repetidamente às tentativas dos investigadores de questioná-lo sobre sua esposa.

Um presidente sul-coreano acabar na prisão não é algo incomum. O próprio Yoon, quando atuava como promotor, ajudou a derrubar a ex-presidente Park Geun-hye, que foi presa por corrupção e abuso de poder.

Esta, porém, é a primeira vez que um ex-casal presidencial é preso ao mesmo tempo.

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