Internacional Cônsul de Israel em SP explica tradição do Ano Novo Judaico

Cônsul de Israel em SP explica tradição do Ano Novo Judaico

Entre rituais, está o costume de fazer refeições com doces, especialmente o consumo de maçã com mel, símbolos do desejo da entrada de um ano doce

Shofar (chifre de carneiro), romã e mel estão nos rituais

Shofar (chifre de carneiro), romã e mel estão nos rituais

Reprodução/Flickr

ROSH HASHANÁ: UM CICLO DE RENOVAÇÃO

Por Alon Lavi

“Este ano celebrado em 30 de setembro, Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico, tem um significado muito mais profundo do que apenas uma passagem de ano. A data, que marcará a entrada do ano de 5.780, dará início a um ciclo de reflexão de dez dias que termina em Yom Kipur, o Dia do Perdão.

Alon Lavi assumiu o cargo no fim de agosto último

Alon Lavi assumiu o cargo no fim de agosto último

Consulado de Israel

Festejado no chamado aniversário do universo, o dia em que D'us criou Adão e Eva, Rosh Hashaná significa “Cabeça do Ano”. Da mesma forma como a cabeça controla o nosso corpo, nessa data, nossas ações têm uma grande influência na forma como guiaremos o restante do ano. É um momento de oração em que agradecemos o ano que passou e pedimos um ano novo de paz, prosperidade e bênçãos.

Entre os rituais dessa festividade, está o costume de fazer refeições com doces, especialmente o consumo de maçã com mel, que simbolizam o desejo da entrada de um ano doce.

Lembro-me de como costumávamos ter sempre em cima da mesa de Rosh Hashaná, depois de voltar da sinagoga, uma grande chalá redonda – pão típico da culinária judaica. O formato é para nos lembrar de como a vida é cíclica e que estamos sempre em processo de renovação.

Outra tradição é comer romã, que simboliza nossa promessa de fazer boas ações no Ano Novo. Saudações como "que nossas bênçãos sejam tantas quantas as sementes de uma romã" são desejadas na festa da véspera de Ano Novo. Segundo a tradição, a romã tem 613 grãos, como o número de mitzvot, que são os mandamentos da Torá.

Também são importantes os serviços de oração que incluem o toque do shofar – instrumento sagrado de sopro feito tradicionalmente com chifre de carneiro para lembrar o animal sacrificado por Abraão no lugar de Isaac. O toque é um chamado para o arrependimento. Em Israel, nessa época, as cidades são tomadas por essa prece sem palavras que soa como um toque de berrante.

Outra grande tradição é o Tashlich, que significa "jogar os pecados na água". É um ritual realizado em Rosh Hashaná como um lembrete físico do esforço humano de rejeitar os pecados. Lançando migalhas de pão na água aos peixes e recitando o versículo de Miquéias, "lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar", declaramos nossa intenção de retornarmos ao nosso verdadeiro eu.

Convido todos a se inspirarem nessa tradição judaica para também buscarem a renovação. Seja em Rosh Hashaná ou no final de 2019, começar um ciclo renovados nos dá a força interna de que precisamos para buscarmos ser pessoas melhores e, assim, vivermos de forma mais leve, em paz e harmonia. Shaná Tová Umetuká! Um ano novo bom e doce a todos!”

Alon Lavi tem 39 anos e desde o fim do último mês de agosto é o Cônsul Geral de Israel em São Paulo

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