Coreia do Norte usa guerra do Irã como justificativa para manter armas nucleares
País busca fortalecer laços com a Rússia, oferecendo apoio militar em troca de recursos e tecnologia
Internacional|Will Ripley, da CNN Internacional
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Kim Jong-un, da Coreia do Norte, afirmou que a guerra dos EUA com o Irã prova que seu país tomou a decisão correta ao manter suas armas nucleares.
Em um discurso na Assembleia Popular Suprema da Coreia do Norte, publicado na terça-feira (24), Kim acusou Washington de “atos de terrorismo e agressão patrocinados pelo Estado”, mas não mencionou o Irã pelo nome.
“A situação atual prova claramente” que a Coreia do Norte estava justificada em rejeitar o que ele descreveu como pressão dos EUA e “conversa fiada” para desistir de seu arsenal nuclear, disse Kim. Ele acrescentou que o status nuclear da Coreia do Norte agora é “irreversível”.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou anteriormente que o Irã representava uma ameaça “iminente” aos EUA, meses depois de declarar que os EUA haviam “obliterado” as capacidades nucleares do Irã.
Trump citou o impedimento do Irã de construir uma bomba nuclear como uma de suas razões para lançar ataques ao país.
Para a liderança da Coreia do Norte, o conflito no Irã reforça uma crença de longa data de que países sem armas nucleares estão expostos ao poder militar dos EUA, enquanto aqueles que as possuem podem detê-lo.
O momento do discurso de Kim é significativo. Trump sinalizou recentemente que está aberto a retomar as conversas com Kim, revivendo uma trilha diplomática que colapsou em 2019.
As observações mais recentes de Kim sugerem que qualquer reunião futura seria muito diferente das cúpulas passadas que focavam na desnuclearização.
Ele indicou que está disposto a se envolver com Trump novamente, mas apenas se os EUA aceitarem a Coreia do Norte como uma potência nuclear e abandonarem o que Pyongyang chama de sua “política hostil”.
Acredita-se amplamente que a Coreia do Norte tenha montado dezenas de ogivas nucleares e, ao contrário do Irã ou da Venezuela, afirma possuir armas nucleares operacionais e sistemas de entrega capazes de atingir qualquer lugar no território continental dos EUA, embora nunca tenham sido totalmente testados.
Capacidade nuclear
Recentemente, a Coreia do Norte exibiu uma série de testes de armas de alto perfil, incluindo lançamentos de mísseis de cruzeiro de um novo navio de guerra e barragens do que a mídia estatal descreveu como foguetes com capacidade nuclear.
Falando ao Congresso do Partido dos Trabalhadores no mês passado, Kim prometeu expandir o arsenal nuclear de seu país, chamando isso de “vontade firme” do partido de aumentar tanto o número de armas quanto os meios para implantá-las.
Kim também colocou sua filha adolescente, que acredita-se chamar Kim Ju Ae, no centro dessas exibições, sinalizando que o programa nuclear da Coreia do Norte não é apenas permanente, mas geracional.
Ao mesmo tempo, Pyongyang está fortalecendo os laços com Moscou. A televisão estatal russa exibiu imagens de tropas norte-coreanas treinando perto da frente ucraniana, retratando a relação como uma forte parceria anti-EUA e enfatizando a crescente cooperação militar.
A relação tornou-se mais consequente, e o papel da Coreia do Norte na guerra da Rússia na Ucrânia tornou-se central para a propaganda de Pyongyang.
Kim concordou em fornecer projéteis de artilharia e foguetes e mobilizou milhares de tropas para apoiar o esforço de guerra da Rússia.
Em troca, analistas dizem que Pyongyang recebeu alimentos, combustível e tecnologia militar potencialmente sensível, juntamente com dados de campo de batalha que ajudam a Coreia do Norte a refinar suas armas.
Esse alinhamento adiciona outra camada de complexidade para Washington. Isso sugere que a Coreia do Norte não está operando de forma isolada, mas como parte de uma rede mais ampla de países que resistem à influência dos EUA.
Apesar do tom de linha dura, Kim não fechou completamente a porta para a diplomacia — no recente congresso do Partido dos Trabalhadores, Kim deixou uma pequena abertura para conversas com Washington.
Mas suas condições são claras: conversas com os Estados Unidos podem ser possíveis, mas desistir de armas nucleares não é uma opção.
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