Criança no poço: equipes vão reciclar oxigênio para abrir galeria
Processo de reforço das paredes do túnel paralelo ao poço já foi concluído. Mineiros descerão a 73 m de profundidade em cápsula de metal
Internacional|Ana Luísa Vieira, do R7

A equipe de mineiros preparada para resgatar o menino Julen — garoto de dois anos que caiu em um poço de água enquanto estava com sua família em um sítio na região de Málaga, na Espanha, no dia 13 de janeiro — deve respirar oxigênio reciclado enquanto trabalha no subsolo, a aproximadamente 73 m de profundidade. A informação foi divulgada pelo jornal espanhol El País nesta quinta-feira (24).
Segundo o periódico, o processo de entubação do túnel paralelo ao poço — perfurado para facilitar o trabalho dos mineiros — já foi concluído durante a manhã. O objetivo era reforçar as paredes da nova cavidade. A 73 m abaixo do solo, os trabalhadores — já em uma cápsula em forma de jaula feita de ferro — organizarão uma escavação para abrir uma galeria perpendicular à direção onde a criança deve estar.
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Os mineiros devem trabalhar de dois em dois e carregar cilindros para reciclagem de oxigênio nas costas — o peso do equipamento é de aproximadamente 14 kg. Calcula-se que a etapa de escavação dure, no máximo, 24 horas.
Comoção internacional

O caso gerou comoção internacional e desencadeou uma operação de resgate sem precedentes pela envergadura e complexidade na Espanha. As mais de 300 pessoas encarregadas de encontrar o menino fazem uma corrida contra o relógio e encontraram as mais diversas dificuldades ao longo da última semana.
Em mensagem enviada ao R7, a brasileira Barbara Accursio, que mora em Málaga, afirma que toda a população local está muito triste com a situação. "Estão levando comida e mantimentos aos trabalhadores. A TV espanhola aborda o caso o tempo todo. Aqui é seguro, não há muitas notícias chocantes, então acontecimentos assim 'param' a mídia", comenta.
Justiça investiga
Na terça-feira (22), o El País noticiou que o Tribunal de Instrução n º 9 de Málaga abriu um processo para apurar em quais circunstâncias ocorreu o acidente envolvendo o bebê. Já foram ouvidos os pais da criança, Joseph Rosello e Victoria Garcia; o dono do sítio onde o bebê caiu; testemunhas que estavam no local no dia 13 de janeiro; e o funcionário que perfurou o poço em busca de água subterrânea em meados de dezembro, identificado como Antonio Sánchez.
"O que se diz é que o poço foi cavado de forma irregular e sem licença", acrescenta a brasileira Barbara. "O dono teria aproveitado as festas de fim de ano para fazer isso — porque o número de fiscais cai bastante nesta época", conclui.














