De onde veio o material que causou a explosão no porto de Beirute

Um navio abandonado por seu dono deixou 2,75 mil toneladas de nitrato de amônio no porto de Beirute em 2013 e nada foi feito com a carga

O Rosus era o cargueiro que levava o nitrato de amônio que explodiu em Beirute

O Rosus era o cargueiro que levava o nitrato de amônio que explodiu em Beirute

Baltic Shipping

A explosão que arrasou a zona portuária de Beirute, capital do Líbano, na última terça-feira (4) foi ouvida até na ilha do Chipre, a quase 250 quilômetros do Líbano. De uma só vez, 2,75 mil toneladas de nitrato de amônio, um material altamente explosivo, entraram em combustão, causando uma enorme tragédia, que deixou até o momento mais de 135 mortos e mais de 4 mil feridos.

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Nesta quarta, o Líbano colocou em prisão domiciliar as autoridades portuárias, enquanto apura de quem é a responsabilidade por tanto material com potencial perigoso estar armazenado em um dos hangares.

Utilizado principalmente como fertilizante e herbicida na agricultura, o nitrato de amônio já causou explosões acidentais e foi usado em atos terroristas. O mais famoso deles foi o atentado contra o prédio do governo federal dos EUA em Oklahoma City, que deixou 168 mortos e mais de 680 feridos em 1995.

O MV Rhosus

A história do nitrato de amônio no Líbano começa em 23 de setembro de 2013, quando o navio cargueiro Rhosus atracou no porto de Beirute. Com bandeira da Moldávia, a embarcação ia da Geórgia para Moçambique, mas precisou parar por problemas técnicos.

Após uma inspeção, as autoridades portuárias libanesas proibiram o navio de retornar ao mar. Cinco tripulantes, todos ucranianos, conseguiram desembarcar e voltar para seu país, mas o capitão e quatro tripulantes permaneceram a bordo para tentar solucionar o impasse.

Os libaneses, no entanto, não conseguiam entrar em contato com o empresário russo que seria o dono da carga e a situação se arrastou por meses. Já sem comida dentro do barco, os tripulantes precisaram pedir à Justiça libanesa para poder desembarcar e retornar.

Ao descobrir que o empresário russo teria pedido falência de sua empresa, o governo confiscou a carga de nitrato, que foi armazenada em um hangar no porto. O Rhosus foi abandonado.

Em diversas ocasiões entre 2014 e 2017, autoridades alfandegárias do Líbano escreveram cartas para a Justiça do país, pedindo instruções sobre como proceder com a carga perigosa, mas nunca tiveram resposta. Houve propostas como usar o nitrato na agricultura local ou exportar, mas nenhuma providência foi tomada. Até que o nitrato finalmente explodiu.

Veja imagens da destruição causada pela explosão em Beirute