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Debates presidenciais do Peru podem durar vários dias por conta do número de candidatos

A instabilidade política é uma constante no país, com oito presidentes nos últimos dez anos

Internacional|Gonzalo Zegarra, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Peru enfrenta uma alta fragmentação política, com 36 candidatos inscritos para as eleições presidenciais de abril.
  • Os debates são divididos em várias datas, com 15 horas de debate programadas para discutir temas como segurança e corrupção.
  • Candidatos como Rafael López Aliaga e Keiko Fujimori estão na liderança das intenções de voto, mas um número significativo de eleitores permanece indeciso.
  • A instabilidade política no Peru é acentuada por questões envolvendo ex-presidentes, resultando em um histórico de mandatos não completados.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A situação atual reflete uma fragmentação que pode beneficiar candidatos menos votados Reprodução/Instagram/@rafaellopezaliagaoficial e @keikofujimorih

No Peru, o país mais instável em nível presidencial na última década na América Latina, volta a ver refletida sua alta fragmentação política com um número recorde de candidatos para as eleições de abril.

São 36 os aspirantes que se inscreveram (um deles morreu dias atrás em um acidente durante a campanha), o que obrigou a dividir em várias datas o tradicional debate televisivo, que pode ser crucial para atrair o voto de um grande número de indecisos e desencantados.


Como um time de futebol, 11 candidatos subiram ao palco na segunda-feira (2) na primeira de seis jornadas para discutir suas propostas sobre segurança e combate à corrupção.

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Nesta terça-feira (3) e quarta-feira (4) sairão outros grupos (definidos por sorteio) de 12 líderes que colocarão seus projetos na mesa, enquanto na próxima semana voltarão a se encontrar em outras três jornadas para falar de emprego, educação e inovação.


Serão no total 15 horas de debate, jornadas tão longas quanto a enorme cédula única de votação: 42 centímetros de largura por até 44 centímetros de comprimento, já que os eleitores, além de presidente, deverão votar nos membros do Senado (em nível nacional e departamental), na Câmara dos Deputados e nos representantes junto ao Parlamento Andino, com um total de mais de 10.000 candidatos.

Entre os 11 candidatos que estrearam a temporada, esteve o ultraconservador Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima, que lidera a intenção de voto (11,9%) junto a Keiko Fujimori (11,7%), embora tenha chegado tarde ao debate e o programa tenha começado sem ele.


Também participou o centro-esquerdista Alfonso López Chau, que subiu para o terceiro lugar (6,5%) na última pesquisa da consultoria Datum.

A jornada, com pouco tempo para desenvolver propostas detalhadamente, teve inclusive espaço para o humor, quando o comediante Carlos Álvarez imitou o candidato César Acuña para lançar-lhe críticas.


Foi um dos momentos mais viralizados da noite, entre um eleitorado cansado das idas e vindas da política, o que também se reflete na sondagem da Datum: 17,7% responderam que não votarão em nenhum candidato e 18,1% disseram que ainda estão indecisos.

A presidência no Peru pode ser considerada um trabalho de alto risco. O ex-presidente Ollanta Humala foi, em 2016, o último mandatário a completar seu período de cinco anos.

Desde então, o Peru teve oito presidentes em quase uma década de alta instabilidade política.

Além disso, a maioria dos ex-mandatários vivos está presa, sendo investigada ou acusada de diferentes crimes, por isso existe uma “prisão dos presidentes” pela qual passaram vários ex-chefes de Estado: Alberto Fujimori, Alejandro Toledo, Ollanta Humala, Martín Vizcarra e Pedro Castillo.

A fragmentação, em um contexto de fraqueza dos partidos políticos, não é um fenômeno novo no país. Houve 20 candidatos em 2006 e 18 em 2021, ambos muito perto daquela que era considerada a marca anterior mais alta na era moderna: 22 candidatos no Brasil em 1989, a primeira eleição após a última ditadura.

Mas a cifra no Peru dobrou desde a última eleição, o que divide fortemente a intenção de voto e permite que qualquer surpresa, seja nas seis jornadas de debate ou nos últimos dias de campanha, possibilite o salto de um candidato que hoje não figura nos primeiros lugares.

Foi assim que Pedro Castillo, que um mês antes da eleição de 2021 aparecia na categoria de “outros”, acabou passando para o segundo turno e vencendo depois Fujimori.

De todos os modos, se for mantida uma situação em que os dois candidatos que passarem para um segundo turno obtenham menos de 15%, é provável que tenham pouca força no Congresso, o poder protagonista das destituições da última década.

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