Delegação do Irã chega ao Paquistão para negociações com os EUA
Presidente do Parlamento iraniano afirma que cessar-fogo precisa incluir o Líbano
Internacional|Do Estadão Conteúdo
Uma delegação iraniana de negociação liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, chegou a Islamabad para conversas de paz com os Estados Unidos, segundo a mídia iraniana que acrescenta que as negociações começarão caso Washington aceite as “precondições” de Teerã.
Ghalibaf afirmou anteriormente que essas exigências incluem um cessar-fogo no Líbano, que o Irã e o Paquistão dizem já fazer parte do acordo temporário com os EUA desde o início, informação negada pelo lado americano. Ghalibaf também pediu a liberação de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados.
A delegação incluiu equipes de segurança, política, militar, econômica e jurídica. O relatório afirma que as negociações só terão início se a outra parte aceitar as precondições do Irã.
Feriado no Paquistão
Menos de 24 horas antes do encontro previsto entre autoridades americanas e iranianas para negociações de paz de alto nível, Islamabad, a capital do Paquistão, está em estado de alerta máximo.
As autoridades bloquearam estradas com contêineres e arame farpado, mobilizaram forças de segurança por toda a cidade e isolaram um raio de três quilômetros ao redor do Hotel Serena, onde parte das delegações está hospedada.
Até mesmo as trilhas para caminhadas nas colinas verdejantes com vista para a cidade foram fechadas ao público.
As autoridades paquistanesas declararam quinta e sexta-feira (dias 9 e 10) feriados nacionais para preparar a capital, uma cidade tranquila, arborizada e residencial com pouco mais de um milhão de habitantes em um país de 250 milhões de pessoas.
As autoridades paquistanesas não divulgaram praticamente nenhum detalhe sobre as negociações, incluindo o local onde serão realizadas, alegando preocupações com a segurança e a necessidade de deixar que autoridades iranianas e americanas conduzam as negociações.
Ainda assim, o governo do Paquistão acolheu com satisfação o seu momento de destaque na diplomacia internacional.
Líderes mundiais na Europa e no Oriente Médio agradeceram ao Paquistão pelos seus esforços de mediação. Editoriais em jornais paquistaneses anunciaram uma nova era para o país como um influente mediador regional.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, chegou a afirmar que jornalistas iranianos e americanos que cobriam as negociações poderiam viajar para o Paquistão e obter um visto na chegada — uma medida bastante incomum em um país onde repórteres estrangeiros geralmente esperam semanas ou meses antes de obterem permissão para entrar.
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