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Depois de Crimeia, leste e sul da Ucrânia se perguntam se Rússia invadirá região

Internacional|Do R7

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Por Steve Gutterman

MOSCOU, 17 Mar (Reuters) - Enquanto forças da Rússia assumiam o controle da Crimeia nas últimas semanas, a mídia russa começava a se referir a um amplo cinturão de terra no sul da Ucrânia como Novorossiya ou Nova Rússia.

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A recuperação do nome da época czarista cai bem com os eleitores russos e remete a uma observação feira pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, em 2008, ao dizer aos líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que a área continha apenas "russos". Seis anos depois, os ucranianos temem que o comentário possa estar começando a parecer profético.

Num momento em que as Forças Armadas da Rússia realizam manobras de guerra perto da fronteira ucraniana e Moscou ameaça intervir para impedir a violência contra os russos na Ucrânia, muita gente teme que Putin não vá parar na Crimeia e possa tentar se apoderar de mais território no leste e sul do país.

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Alguns russos sonham em anexar a maior parte do leste e sul da Ucrânia, cortando o país ao meio e estendendo o controle da Rússia até a fronteira da Transdnístria, uma região separatista na Moldávia, que tem forte identidade russa.

"É claro que as ações do Kremlin ... têm como objetivo a aquisição de todo esse pedaço de território até Transnistria e, é claro, as regiões orientais (da Ucrânia )", disse a comentarista política russa Yulia Latynina à rádio Ekho Moskvy.

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Fazer isso significaria elevar drasticamente os riscos na maior disputa entre a Rússia e o Ocidente desde a Guerra Fria e aumentar o perigo de um conflito militar direto.

Apesar de tais sonhos lembrarem a meta do líder sérvio Slobodan Milosevic, de uma Grande Sérvia, antes das guerras balcânicas da década de 1990, muitos especialistas ocidentais veem tais ameaças em grande parte como encenação.

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Eles sugerem que Putin talvez esteja tentando assustar o Ocidente para que o deixe com o controle da Crimeia, península do Mar Negro, na esperança de que ele não vá avançar em suas ambições.

"Putin seria louco em invadir a Ucrânia", disse um alto funcionário ocidental, acrescentando que seria mais provável que ele atue mais devagar, "fomentando a rebelião entre os russos étnicos", na esperança de a longo prazo ganhar o controle do território sem precisar lutar.

O Eurasia Group, uma instituição de consultoria e análise com sede nos Estados Unidos, disse que "a invasão russa continua a ser muito possível, mas se considerados todos os aspectos, improvável".

"Moscou continuará a buscar mais influência principalmente para desestabilizar leste da Ucrânia", assinalou.

Os planos da Rússia para o leste da Ucrânia são difíceis de se prever, mas, apesar de poucos no Ocidente acreditarem que um conflito militar seja provável, quase ninguém parece descartar a possibilidade.

CRIMEIA

Moscou agiu bem depressa para trazer a Crimeia para seu domínio depois que o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, apoiado pelo governo russo, foi destituído e fugiu de Kiev em 21 de fevereiro, depois de assinar um acordo com seus adversários para encerrar três meses de protestos contra o governo.

A mídia estatal russa traça um panorama terrível sobre a situação dos milhões de russos étnicos na Ucrânia, retratando o país como um Estado caótico e violento à beira do colapso, e sugerindo que a população de língua russa vive sob constante ameaça de ataque dos "neofascistas" - o modo como qualificam os grupos que assumiram o controle do governo em Kiev.

"O país está caindo aos pedaços", disse no seu programa semanal de domingo o apresentador Dmitry Kiselyov, premiado com uma medalha por Putin no mês passado por "serviços à pátria".

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