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Diálogo Governo-Farc fecha outro ciclo com aproximações na questão agrária

Internacional|Do R7

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Havana, 24 jan (EFE).- O Governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) concluíram nesta quinta-feira a primeira rodada de diálogo de 2013 com "aproximações" no problema da terra, embora ainda mantenham diferenças "notáveis" sobre esse primeiro ponto da agenda de conversas para alcançar a paz. No ciclo que começou no último dia 14 de janeiro, os negociadores do Governo e da guerrilha analisaram a questão agrária e existem coincidências em aspectos como a necessidade de erradicar a pobreza rural e de transformar o campo colombiano com programas integrais que democratizem o acesso à terra, afirmaram as partes em comunicado conjunto. Também concordam que esses programas integrais devem regularizar e dar segurança jurídica à propriedade da terra e assegurar o bem-estar ao maior número de camponeses. "Há coincidências no anseio de transformar o campo, mas também subsistem diferenças notáveis", confirmou Humberto de la Calle, ex-vice-presidente da Colômbia e chefe dos delegados do Governo no processo de paz, que tem sua sede permanente em Havana. Para superar essas diferenças, De la Calle aposta em "situar-se além dos próprios interesses e ser capaz de ver o futuro" e assinalou que o Governo "é consciente da necessidade de fechar a brecha" do mundo rural "mediante a transformação do campo". Em linhas gerais, as conversas neste último período avançaram "em um clima de respeito e de diálogo amplo", segundo o Governo, e "em um bom ritmo", inclusive "acelerado", na opinião das Farc. As partes também começaram a estudar as 550 propostas sobre a questão da terra que saíram do fórum realizado em Bogotá no último mês de dezembro passado como um dos mecanismos de participação cidadã estipulados pela mesa de diálogo. A guerrilha pôs sobre a mesa dez "propostas mínimas" como a criação de um fundo de terras de 20 milhões de hectares para superar a estrutura latifundiária e democratizar a propriedade agrária; a criação de uma nova política tributária, a elaboração de um cadastro alternativo e o reconhecimento político dos camponeses. O problema rural está na origem do conflito armado que há quase meio século afeta a Colômbia, onde 52% da terra está nas mãos de 1,15% dos proprietários. Outro dos pontos que marcou este novo ciclo de conversas foi o fim da trégua de dois meses que as Farc declararam em novembro, quando começaram formalmente os diálogos de paz. No último dia 20 de janeiro terminou esse cessar-fogo unilateral da guerrilha que segue reivindicando ao Governo o fim bilateral das hostilidades ou a regularização do conflito para atenuar seu impacto. O Governo de Juan Manuel Santos se recusa a declarar um cessar-fogo e mantém a postura que as Forças Armadas continuem defendendo a integridade e patrimônio dos colombianos "e só haverá cessação de fogo quando tenham sido alcançados os acordos definitivos" de paz com a guerrilha, segundo insistiu hoje em Havana Humberto de la Calle. "Queremos a paz, mas não a qualquer custo, não ao custo que, como produto das conversas, a guerrilha se fortaleça para seguir na guerra", advertiu o chefe dos negociadores do Executivo. Após um recesso de seis dias, os delegados de Juan Manuel Santos e os da guerrilha voltarão a sentar-se na mesa de negociação do Palácio de Convenções de Havana na quinta-feira, 31 de janeiro. EFE sam/rsd (foto)

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