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Egito chega a acordo para diálogo, mas novos protestos são marcados

Internacional|Do R7

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Os principais partidos rivais do Egito se comprometeram nesta quinta-feira a combater a violência que já causou dezenas de mortes em uma semana e a favorecer um diálogo para saída da crise, mas a oposição mantém sua convocação para novas manifestações na sexta-feira contra o presidente Mohamed Mursi.

A Frente de Salvação Nacional (FSN), principal coalizão da oposição, o Partido da Liberdade e da Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana, formação da qual saiu o presidente Mursi, islamitas, grupos revolucionários, independentes e representantes das igrejas do Egito participaram de uma reunião no Cairo organizada pelo imã de Al-Azhar, Ahmed al-Tayeb, a principal autoridade do islã sunita.

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Esta reunião ocorre num momento em que se multiplicam as tentativas de favorecer o diálogo, quando o Egito vive há uma semana uma nova onda de violência que começou com a celebração do segundo aniversário da revolta popular que depôs Hosni Mubarak e que se intensificou no sábado com a condenação à pena de morte de 21 torcedores de uma equipe de futebol.

A violência, que deixou ao menos 56 mortos, ocorre em um contexto de contestação do poder de Mursi, primeiro presidente islâmico civil do Egito, e de uma grave crise econômica.

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Em um comunicado assinado no fim da reunião, os participantes "denunciam a violência em todas as suas formas", e prometem se abster de "toda incitação à violência".

Eles também ressaltam "a responsabilidade do Estado e de seu aparelho de segurança de proteger os cidadãos".

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"Nós deixamos as discussões com certo otimismo, apesar dos difíceis desafios que enfrentamos", declarou Mohamed El Baradei, figura de destaque da FSN.

Ele se referiu a "um acordo para resolver as diferenças por meios pacíficos", alguns dias depois de ter rejeitado um apelo ao diálogo lançado por Mursi.

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"Nós trabalhamos para salvar o Egito", declarou por sua vez Amr Musa, outro dirigente da FSN.

"Todos (os participantes) expressaram sua disposição para fazer concessões", explicou Saad al-Katatni, líder do PLJ. "A resolução dos problemas da transição democrática passam inevitavelmente pelo diálogo", acrescentou.

De acordo com ele, um comitê representativo das facções políticas e dos jovens ficou encarregado de preparar este diálogo "sem pré-condições estabelecidas".

Os participantes se comprometeram a resolver suas diferenças "por um diálogo sério", segundo o documento de Al-Azhar.

"O diálogo nacional, ao qual vão participar todos os componentes da sociedade, sem exclusão, é o único modo de resolver as diferenças", ressaltou o imã no início da reunião.

O diálogo é uma "garantia contra o monopólio do poder, que conduz à tirania", ressaltou, ao pedir por "uma alternância pacífica do poder".

Apesar dos riscos de novos episódios de violência, a FSN confirmou em um comunicado que mantém sua convocação para novas manifestações na sexta-feira para denunciar a política do presidente Mursi, acusado de trair a revolução e de concentrar o poder nas mãos da Irmandade Muçulmana.

Os confrontos durante a semana entre manifestantes e forças de ordem, que também deixaram centenas de feridos, obrigaram Mursi a decretar na segunda-feira estado de emergência e toque de recolher em três províncias do noroeste, Port-Said, Suez e Ismailiya.

bur/tm/tp/mr

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