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Egito saúda declaração dos EUA sobre Mursi

Internacional|Do R7

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Por Yasmine Saleh e Sarah McFarlane

CAIRO, 11 Jul (Reuters) - Os governantes interinos do Egito saudaram na quinta-feira as declarações do Departamento de Estado dos Estados Unidos descrevendo o presidente deposto Mohamed Mursi como antidemocrático, o que foi visto no Cairo como um sinal de que Washington não interromperá sua ajuda anual de 1,5 bilhão de dólares.

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Até agora, os EUA adotavam uma postura muito cuidadosa para se referir à intervenção militar da semana passada contra Mursi, um político islâmico que foi o primeiro líder livremente eleito na história egípcia, mas enfrentava enormes protestos populares exigindo sua renúncia.

O governo norte-americano evitou descrever a situação como um golpe de Estado, o que poderia acarretar sanções e a suspensão da ajuda militar ao Egito.

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No entanto, Jen Psaki, porta-voz do Departamento de Estado, disse na quarta-feira que o governo de Mursi "não era um regime democrático".

"O que eu quero dizer é que estamos referenciando as 22 milhões de pessoas que estiveram expressando suas opiniões e deixando claro que democracia não é só vencer a votação na urna", disse ela.

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Essa nova posição dos EUA foi calorosamente acolhida pelo governo provisório egípcio, e prontamente denunciada pela Irmandade Muçulmana, grupo político que dava sustentação a Mursi e agora teme sofrer perseguições.

Bard Abdelatty, porta-voz da chancelaria egípcia, disse que as declarações de Psaki refletem "o entendimento e percepção sobre os fatos políticos que o Egito está testemunhando nos últimos dias como algo que encarna a vontade de milhões de egípcios que saíram às ruas".

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Já Gehad Haddad, porta-voz da Irmandade, disse que as declarações revelam hipocrisia norte-americana. "Não havia como o Exército egípcio ter dado esse golpe se ele não tivesse sido aprovado pelos EUA", afirmou.

Ao contrário da postura cautelosa dos governos ocidentais, monarquias árabes não esconderam sua satisfação com a derrubada de Mursi, e três delas - Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kuwait - anunciaram nesta semana a oferta de 12 bilhões de dólares em doações, empréstimos e combustível para ajudar o Egito a fazer frente a uma crise econômica que perdura desde a revolução que depôs o regime de Hosni Mubarak em 2011.

Num sinal da gravidade da crise, o ministro de Abastecimento do governo deposto, Bassem Ouda, disse à Reuters que o governo mantém em estoque atualmente apenas 500 mil toneladas de trigo importado, suficiente para cerca de dois meses.

O Egito é o maior importador mundial de trigo, comprando cerca de 10 milhões de toneladas por ano, das quais metade é distribuída à população na forma de pão subsidiado. O volume do estoque oficial era até agora um segredo de Estado.

(Reportagem adicional de Alexander Dziadosz, Maggie Fick, Mike Collett-White, Tom Perry, Peter Graff, Ali Saed, Seham el-Oraby e Shadia Nasralla)

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