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Entenda quais países da América Latina perdem e quais ganham com a guerra do Irã

Exportadores líquidos de petróleo, como Venezuela e Colômbia, são os mais beneficiados

Internacional|Gonzalo Zegarra, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O aumento recente do preço do petróleo impacta diferentes países da América Latina de maneiras variadas.
  • Países exportadores líquidos como Venezuela, Colômbia e Equador se beneficiam mais da subida dos preços.
  • Importadores de petróleo, como Chile e Uruguai, têm dificuldade em absorver os aumentos, repassando custos aos consumidores.
  • A situação pode causar pressão inflacionária, mas países como México se mostram menos vulneráveis devido à sua dependência energética.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Aumento de preços é repassado ao consumidor na maioria dos países importadores Jack Taylor/Reuters - 05.03.2026

Os preços do petróleo, que deram vários saltos nos últimos dias após os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, são acompanhados com atenção na América Latina, uma região que, embora menos afetada que outras pelos aumentos, tem ganhadores e perdedores segundo sua capacidade de produção e de amortização das oscilações do mercado.

Nos Estados Unidos, o combustível teve na segunda-feira (2) o maior aumento diário em mais de 20 anos, mas a situação não foi tão volátil na maioria dos países do hemisfério.


“Os países obviamente mais beneficiados de qualquer subida do preço são os exportadores líquidos de petróleo, ou seja, que produzem mais petróleo do que consomem, embora muitos países exportem e também importem. Estou falando de países como Venezuela, Colômbia, Equador”, revisou o economista venezuelano Francisco Monaldi, diretor do Programa de Energia para a América Latina no Baker Institute da Universidade Rice, em diálogo com a CNN Internacional.

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“Argentina e Brasil se beneficiam um pouco, porque já são também exportadores líquidos, mas não na magnitude que os primeiros se beneficiam, ou seja, em particular Venezuela e Guiana”, explicou.


O especialista acrescentou que o Suriname também está recebendo mais receitas, mas sua produção ainda não tem tanto peso na economia nacional.

No caso do México, Monaldi apontou que o país já não tem um saldo exportador tão alto, mas destacou o papel da petrolífera estatal: “A Pemex (Petróleos Mexicanos) é uma parte tão importante da economia mexicana, sobretudo para o governo, que o fato de a Pemex se beneficiar é uma vantagem”.


Um relatório da equipe de Estudos Econômicos do Banamex (Banco Nacional do México) afirmou que o México, para seu abastecimento energético, “não depende do petróleo bruto iraniano nem de rotas críticas como o estreito de Ormuz”, onde o trânsito de navios ficou paralisado em meio aos ataques militares no Oriente Médio.

O banco destacou que “o impacto direto é limitado” porque importa cerca de 70% do gás natural via gasoduto dos Estados Unidos.


“Apenas em um cenário de interrupção prolongada e severa dos preços globais seriam observadas pressões mais persistentes”, acrescentou o relatório.

A esse respeito, o engenheiro Ramses Pech, analista da indústria energética, concordou que o México não seria tão afetado.

Caso a crise se prolongue, ele vê como viável que o mecanismo do IEPS (Imposto Especial sobre Produção e Serviços) sobre combustíveis amorteça qualquer impacto e, assim, mantenha o teto de 24 pesos por litro (R$ 7,09).

Embora tenha destacado que essa medida teria um impacto fiscal, ressaltou que evitaria uma pressão inflacionária.

“84% do petróleo que transita pelo estreito de Ormuz tem como destino a Ásia, que é a região mais suscetível”, indicou Pech.

“Não creio que a América Latina seja tão afetada, com os Estados Unidos tentando mitigar o impacto”, comentou.

O consultor energético considerou que só haveria um aumento nos postos do país se o preço do barril chegasse a US$ 110 (R$ 576,8) ou US$ 120 (R$ 629,2), cenário que vê como pouco provável.

Nesta quarta-feira (4), o barril de petróleo Brent ronda os US$ 84 (R$ 440,5) e o do Texas situa-se perto dos US$ 76 (R$ 398,5).

“A América Latina tem que aguentar. Em 2022, com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o preço ultrapassou os US$ 100 (R$ 524,4).

O panorama agora é diferente, os Estados Unidos não tinham o controle, quem o tinha eram os países da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados)”, acrescentou Pech.

Para o analista, a incerteza pode se estender por até cinco semanas, mas ele confia que, até o final de abril, o cenário deixe a volatilidade.

Se os exportadores se beneficiam de uma renda maior, os importadores de petróleo sofrem com cada aumento do barril, que na maioria dos casos é repassado diretamente ao preço final, com pouca capacidade de absorver esse impacto.

“Não resta outra alternativa senão repassar todo o impacto aos consumidores em países como Chile, Uruguai, Peru, os países centro-americanos, todos eles, países como a República Dominicana”, revisou Monaldi.

“Eles têm que repassar quase tudo aos consumidores, não há como aguentarem esse subsídio. (...) Simplesmente não têm capacidade fiscal”, considerou.

De qualquer forma, o impacto não costuma ser imediato, por questões de reservas e navios que já estavam a caminho.

Além disso, ao preço do barril deve-se somar outros custos que permanecem estáveis ou não sobem no mesmo ritmo.

Além disso, cada país tem seu próprio esquema para amortizar a mudança.

Por exemplo, no Uruguai o preço baixou esta semana, já que o sistema utiliza como referência a média do mês anterior (fevereiro) para mantê-lo fixo por dois meses.

Assim, o novo ajuste ocorrerá em 1 de maio, quando se saberá se a crise durou efetivamente algumas semanas ou se trata de uma escalada de longo prazo.

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