Escalada de tensões entre EUA e Rússia deixa o mundo à beira de uma nova Guerra Fria
Intervenção na Síria coloca países em lados diferentes do conflito
Internacional|Do R7, com agências

Após ver as tensões internacionais crescerem por conta de sua interferência na Ucrânia, a Rússia volta a figurar o noticiário internacional em uma polarização com um velho adversário político: os Estados Unidos. Mas, este ano, o foco maior das disputas se deslocou para o Oriente Médio — mais especificamente, para a Síria.
Em meio a uma guerra civil que já deixou mais de 250 mil mortos que é responsável por boa parte do fluxo de refugiados que chega à Europa, ficou explícito a necessidade de se dar um fim ao conflito.
Ao mesmo tempo, a instabilidade política no país proporcionou um grande crescimento a grupos extremistas que atuam na região, sendo o mais ameaçador deles o autointitulado Estado Islâmico.
A expansão do jihadismo (guerra santa) ultrapassou as fronteiras do país e chegaram a países europeus, como França e Rússia. Com isso, a interferência externa no país se intensificou.
No final de setembro, a Rússia iniciou os bombardeios a posições do Estado Islâmico na Síria. No entanto, outros países que também estão atuando na região acusaram os russos de atacarem também outros grupos rebeldes que lutam pela queda do presidente sírio, Bashar al Assad.
A Rússia é aliada de Assad, ditador no poder desde 2000 na Síria e que é acusado de genocídio contra o próprio povo. Irã e Iraque também participam da coalizão que luta contra o Estado Islâmico e apóia as forças do governo no país, ao lado do grupo islâmico xiita libanês Hezbollah. Já os Estados Unidos lideram a intervenção de oposição ao presidente Assad, que conta também com França, Turquia, Arábia Saudita, Reino Unido e França.
Antes de iniciar os bombardeios na Síria, a Rússia alertou os EUA para que mantivessem suas aeronaves fora do espaço aéreo sírio, mas os norte-americanos seguiram em frente com sua campanha aérea contra as forças do Estado Islâmico e disseram ter visado posições da facção próximas da cidade síria de Aleppo.
Já o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou que Washington ficará “gravemente preocupado” se a Rússia alvejar alvos onde os combatentes do Estado Islâmico não estão presentes, e disse que o grupo extremista “não pode ser derrotado enquanto Bashar al-Assad for presidente da Síria”.

Com a falta de uma frente única contra o Estado Islâmico na Síria, a falta de diálogo entre os envolvidos não tardou a resultar em incidentes graves. No dia 24 de novembro, a Turquia, que atua ao lado dos Estados Unidos na coalizão e deseja a saída do ditador Bashar al Assad do poder, derrubou um caça russo que sobrevoava a fronteira do país.
O caso gerou um graves consequências diplomáticas. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que o ataque foi "um golpe pelas costas" que "terá consequências trágicas" nas relações bilaterais. Putin ainda afirmou que a Turquia é "cúmplice dos terroristas" do Estado Islâmico.
Por outro lado, o secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Jens Stoltenberg, manifestou apoio à Turquia, dizendo que a entidade "apoia a integridade territorial" de seu aliado.
POLARIZAÇÃO HISTÓRICA
Estados Unidos e Rússia já protagonizaram uma polarização política que dividiu o mundo e gerou medo de uma nova guerra mundial com possíveis consequências trágicas para toda a raça humana. Após o final da Segunda Guerra Mundial, na qual ambos os países atuaram do mesmo lado do conflito contra a Alemanha nazista e seus aliados do Eixo, Estados Unidos e a então União Soviética buscaram ampliar seu campo de influência ao apoiar movimentos e insurgências em nações periféricas no mundo inteiro.
No caso dos Estados Unidos, o apoio à derrubada de governos democraticamente eleitos na América Latina, além do patrocínio a grupos guerrilheiros em países como o Afeganistão e a Nicarágua, protagonizaram a política externa da potência. O país também se envolveu diretamente nas Guerras da Coreia e do Vietnã.
Já Revolução Cubana foi uma derrota para os norte-americanos, e fez com que a ilha caribenha — até então governada por um ditador favorável aos interesses dos EUA — se alinhasse aos soviéticos a partir de 1959.
Alguns anos depois, em 1962, o pequeno país iria exercer um papel de destaque na escalada de tensões geopolíticas que tomava conta do mundo na época. Após os Estados Unidos instalarem bases de lançamento de mísseis nucleares na Turquia — país que faz fronteira com a Rússia (então União Soviética) —, os comunistas responderam preparando terreno para a instalação de armas nucleares em Cuba, de onde poderiam rapidamente atingir o território norte-americano caso fossem disparados.
Depois de um período de negociações tensas, ambos os países concordaram em retirar seus armamentos nucleares da Turquia e de Cuba.
Com o colapso da União Soviética em 1991 e a consequente abertura econômica da Rússia, as tensões com os Estados Unidos diminuíram drasticamente, se mantendo baixas por cerca de 20 anos, até voltarem a tona com a situação na Criméia.

CRISE NA UCRÂNIA
Em março de 2014, a Rússia anexou a Crimeia, região que pertencia à Ucrânia, ao seu território e foi fortemente criticada pela comunidade internacional, principalmente, porque muitos acreditam que o presidente russo, Vladimir Putin, tem intenções de expandir ainda mais as fronteiras do país.
Diante disso, a União Europeia e os EUA decidiram agir contra o governo russo e deram início a uma “guerra de sanções” que atinge, principalmente, a economia do país.
Em junho deste ano, Vladimir Putin, anunciou que vai reforçar o arsenal nuclear do país com mais 40 mísseis intercontinentais. A decisão foi tomada pouco depois da revelação dos planos dos Estados Unidos de enviar armamento pesado para o leste da Europa.
Com a escalada das tensões, as declarações do ex-líder soviético Mikhail Gorbachev ganharam destaque na mídia. Ele foi o líder responsável pela reaproximação da União Soviética e do Ocidente no fim dos anos 1980. Para Gorbachev, o mundo está à beira de uma nova Guerra Fria.
— O derramamento de sangue na Europa e no Oriente Médio junto com o fim do diálogo entre as nações mais poderosas é motivo de enorme preocupação. O mundo está à beira de uma nova Guerra Fria. Alguns estão até mesmo dizendo que ela já começou.
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A Rússia, que já foi considerada uma das duas principais potências do mundo, vem adotando posturas expansionistas e hostis em relação aos interesses de outras potências, mais marcadamente, os Estados Unidos. Conflitos na Ucrânia e na região do Cáucaso ...
A Rússia, que já foi considerada uma das duas principais potências do mundo, vem adotando posturas expansionistas e hostis em relação aos interesses de outras potências, mais marcadamente, os Estados Unidos. Conflitos na Ucrânia e na região do Cáucaso contribuíram para colocar as forças da Otan em seu mais alto nível de alerta desde meados dos anos 80

























