Estado onde mulher sobreviveu a injeções letais nos EUA falhou em outra execução neste ano
Em maio, autoridades do Tennessee cancelaram a execução por injeção letal de Tony Carruthers
Internacional|Do R7, com Estadão Conteúdo
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O estado americano do Tennessee, onde Christa Gail Pike sobreviveu após ser submetida a duas doses de pentobarbital na noite de quarta-feira (30), já havia falhado anteriormente, neste ano, em outra execução.
Em maio, autoridades estaduais cancelaram a execução por injeção letal de Tony Carruthers, condenado pelo sequestro e assassinato de três pessoas em 1994, após a equipe responsável pela execução tentar, sem sucesso, durante mais de uma hora, inserir um acesso venoso para a administração de pentobarbital.
Após a falha na execução de Pike, o governador do Tennessee, Bill Lee, anunciou, na madrugada desta quinta-feira (1º), a suspensão de todas as execuções no estado até o final do ano.
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Além da execução de Christa, outra estava programada para ser realizada em 2026.
Lee anunciou uma auditoria externa para “determinar exatamente o que aconteceu”. “Cumprir uma sentença legalmente imposta está entre as responsabilidades mais sérias do Estado, e o povo do Tennessee espera que isso seja feito de uma maneira que seja não apenas legal e constitucional, mas também eficaz”, disse o governador.
O protocolo de execução do Estado prevê a administração de uma segunda dose de drogas por meio de seringas, “caso o detento não esteja morto”, após a primeira dose.
O documento não especifica o que deve ser feito caso o indivíduo continue vivo após a segunda dose.
Condenada foi resgatada após tentativa de execução
Era possível ouvir Pike roncando alto após as injeções. Segundo o advogado de Christa, uma ambulância a socorreu após a tentativa de execução malsucedida.
Ela seria a primeira mulher a ser executada no estado desde 1819, isto é, em 207 anos.
Pentobarbital é um fármaco que, quando utilizado em doses de 2 a 10 gramas, causa a morte entre 15 a 30 minutos. Não há informações da dosagem às quais Pike foi submetida.
Segundo o Centro de Informações sobre a Pena de Morte, uma organização sem fins lucrativos dos EUA, essa foi uma “falha inédita”.
Como foi a tentativa de execução
Autoridades teriam administrado duas doses de pentobarbital em Christa. Às 19h46 (21h46 em Brasília), funcionários da prisão fecharam a cortina da sala onde os veículos de mídia poderiam acompanhar a execução, que foi reaberta cerca de três minutos depois.
Era possível ouvir Pike roncando alto; a cortina foi fechada novamente às 20h06 (22h06 em Brasília). Christa permaneceu acordada e roncando por mais de 40 minutos após a última dose.
Às 20h53 (22h53 em Brasília), foi anunciado que os jornalistas presentes no local deveriam se retirar do espaço.
A diretora-executiva do Death Penalty Information Center (Centro de Informações sobre a Pena de Morte, na sigla em inglês), Robin M. Maher, disse que o que Pike vivenciou é “singular e sem precedentes”.
Ela explica que outras sete pessoas sobreviveram a problemas médicos decorrentes da falha da equipe de execução em acessar uma veia para administrar as drogas da injeção letal, mas ninguém permaneceu vivo após receber os fármacos utilizados nessas execuções.
Entenda o caso
Em 1995, Pike, à época com 18 anos, e o namorado, Tadaryl Shipp, então com 17 anos, assassinaram a jovem Colleen Slemmer, de 19 anos, em um acampamento.
No ano seguinte, ela foi condenada à morte e Shipp à prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional.
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