‘Estamos entrando novamente num regime de competição nuclear desinibida’, diz professor
Acordo histórico de contenção de arsenais entre Rússia e EUA chega ao fim nesta quinta (5)
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Juridicamente, já não há mais obrigação entre Rússia e Estados Unidos de limitar seus arsenais nucleares estratégicos, explica Kleber Galerani, professor de direito e relações internacionais. O acordo nuclear entre os países expirou nesta quinta-feira (5), inaugurando uma nova era atômica mundial.
Pela primeira vez em 54 anos, os dois maiores arsenais do mundo ficam sem quaisquer limites de expansão e podem voltar a acelerar na corrida armamentista. Em entrevista ao Conexão Record News, o docente lembra que o tratado foi firmado no contexto da Guerra Fria, em meio às disputas entre União Soviética e EUA.

O fim do acordo acontece na pior hora possível, segundo o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres. Juntos, o Kremlin e a Casa Branca administram quase 90% de todas as armas nucleares do planeta, em meio ao maior confronto na Europa desde a Segunda Guerra, protagonizado por Rússia e Ucrânia.
Moscou afirmou que vai continuar a adotar uma abordagem responsável em relação à estabilidade militar estratégica, enquanto Washington não se manifestou sobre o fim do tratado, conhecido como NewStart, em inglês. “Nós observamos que a instabilidade atrai a instabilidade”, reflete Galerani.
Por sua vez, a China afirmou que o fim do acordo é lamentável e pediu que americanos e russos retomem o diálogo de forma construtiva. O Ministério das Relações Exteriores do país asiático disse que adere a uma estratégia nuclear de defesa e que as forças nucleares chinesas são menores do que as da Rússia e dos EUA. Também foi reiterado que Pequim não participará de negociações futuras entre as duas nações.
“O fim do NewStart não é apenas uma data no calendário, é uma virada de página estratégica, sem limites legais, sem limites verificáveis sobre armamentos estratégicos”, afirma o professor, ao explicar que “entram em cena riscos que nós tínhamos como sendo riscos passados”.
“Essa retórica de responsabilidade da Rússia, esse lamento prudente da China e o alerta da própria ONU, refletem uma verdade dura: nós estamos entrando num regime novamente de competição nuclear desinibida”, completa Galerani.
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