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Secretário-geral da ONU alerta para ‘colapso financeiro iminente’ da entidade

Principal contribuinte, Estados Unidos se recusam a fazer pagamentos obrigatórios

Internacional|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, alertou sobre um 'colapso financeiro iminente' na organização.
  • Os Estados Unidos, principal contribuinte, estão se afastando do multilateralismo e cortaram financiamentos fundamentais.
  • As dívidas pendentes chegam a US$ 1,57 bilhão, e Guterres pediu que todos os Estados-membros honrem suas obrigações de pagamento.
  • A ONU pode ficar sem recursos até julho, devido a regras orçamentárias consideradas antiquadas que exigem devolução de contribuições não gastas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Antonio Guterres tem falado repetidamente sobre crise de liquidez da organização Eduardo Munoz/Reuters - 29.01.2026

O secretário-geral da ONU informou aos Estados-membros que a organização corre o risco de um “colapso financeiro iminente”, citando taxas não pagas e uma regra orçamentária que obriga o órgão global a devolver o dinheiro não gasto, de acordo com uma carta vista pela Reuters nesta sexta-feira (30).

Antonio Guterres tem falado repetidamente sobre o agravamento da crise de liquidez da organização, mas este é seu aviso mais severo até o momento, e surge em um momento em que seu principal contribuinte, os Estados Unidos, está se afastando do multilateralismo em várias frentes.

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“A crise está se aprofundando, ameaçando a execução dos programas e causando risco de colapso financeiro. E a situação se deteriorará ainda mais no futuro próximo”, afirmou Guterres em uma carta aos Estados-membros datada de 28 de janeiro.

Os EUA cortaram o financiamento voluntário às agências da ONU e se recusaram a fazer pagamentos obrigatórios aos seus orçamentos regulares e de manutenção da paz.

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O presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu a ONU como tendo “grande potencial”, mas disse que ela não está cumprindo esse papel e lançou um Conselho da Paz que alguns temem que possa minar o órgão internacional.

Fundada em 1945, a ONU tem 193 Estados-membros e trabalha para manter a paz e a segurança internacionais, promover os direitos humanos, fomentar o desenvolvimento social e econômico e coordenar a ajuda humanitária.

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Em sua carta, Guterres disse que “as decisões de não honrar as contribuições que financiam uma parte significativa do orçamento regular aprovado foram agora formalmente anunciadas”.

Ele não disse a qual Estado ou Estados se referia, e um porta-voz da ONU não estava disponível para comentar imediatamente.

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‘Ciclo kafkiano’

De acordo com as regras da ONU, as contribuições dependem do tamanho da economia de cada Estado-membro. Os EUA respondem por 22% do orçamento principal, seguidos pela China, com 20%.

Mas, no final de 2025, havia um recorde de US$ 1,57 bilhão (cerca de R$ 8,26 bilhões) em dívidas pendentes, disse Guterres, sem nomear os países.

“Ou todos os Estados-membros honram suas obrigações de pagar integralmente e em dia, ou os Estados-membros devem reformular fundamentalmente nossas regras financeiras para evitar um colapso financeiro iminente”, disse ele.

Guterres lançou no ano passado uma força-tarefa de reforma, conhecida como UN80, que busca cortar custos e melhorar a eficiência. Para esse fim, os Estados concordaram em cortar o orçamento de 2026 em cerca de 7%, para US$ 3,45 bilhões (R$ 18,1 bilhões, aproximadamente).

Ainda assim, Guterres alertou na carta que a organização poderia ficar sem dinheiro até julho.

Um dos problemas é uma regra agora considerada antiquada, segundo a qual o órgão global tem que creditar de volta centenas de milhões de dólares em contribuições não gastas aos Estados a cada ano.

“Em outras palavras, estamos presos em um ciclo kafkiano que exige a devolução de dinheiro que não existe”, disse Guterres, referindo-se ao autor Franz Kafka, que escreveu sobre processos burocráticos opressivos.

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